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27/Feb/2024

Setor industrial espera retomar crescimento em 2024

Segundo previsões da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), após sete quedas nos últimos dez anos, a indústria de transformação deve ensaiar reação em 2024, ainda que modesta. O setor espera um balanço de forças mais favorável, com o consumo beneficiado pela expansão do crédito e da renda, além da injeção de recursos dos precatórios. Ao mesmo tempo, juros mais baixos e obras de infraestrutura, em meio à corrida das eleições municipais, devem estimular os investimentos. A previsão é de crescimento de 1% do produto gerado pela indústria de transformação em 2024, interrompendo dois anos seguidos de variações negativas: -1,4%, conforme a estimativa da Fiesp para 2023; e -0,5% em 2022.

Nos últimos dez anos, o setor só cresceu três vezes: 2021, 2018 e 2017. Apesar da previsão positiva, as fábricas, mais uma vez, não devem acompanhar o Produto Interno Bruto (PIB) na soma de todas as atividades, cujo alta neste ano é prevista pela entidade em 1,8%, após o crescimento de 3% estimado para economia brasileira em 2023. Também ficam atrás do crescimento de 2,3% previsto para a indústria em geral, que, além da indústria de transformação, inclui ainda construção, setor extrativo e energia elétrica, gás e saneamento.

O consumo das famílias deverá continuar crescendo, com alta de 2,8% prevista para 2024, no embalo da expansão da massa salarial ampliada (+4,8%), da manutenção do emprego, da queda da inflação e do aumento, de 4,9% em termos reais, do crédito livre para pessoas físicas. Fora isso, a Fiesp estima um impacto positivo equivalente a cerca de 0,2% do PIB vindo dos pagamentos de R$ 93 bilhões em precatórios. Junto com o reajuste do salário-mínimo e o mercado de trabalho resiliente, esses recursos ajudarão a ampliar a renda disponível ao consumo. A perspectiva é de esses fatores, combinados, impulsionarem o consumo tanto de bens duráveis, que dependem mais de crédito, como os automóveis, quanto de produtos não duráveis, como alimentos, que já vinham em alta.

O cenário é mais favorável para os investimentos em bens de capital, depois da queda expressiva de 9,3% nas compras de máquinas e equipamentos no ano passado. A visão positiva se sustenta na queda dos juros, que diminui, em tese, o custo de capital das empresas, e nos financiamentos anunciados pelo governo dentro da política industrial. A entidade cita ainda o incentivo à modernização de linhas de produção com o projeto de depreciação acelerada, que permitirá antecipar em dois anos, ao invés do prazo atual de dez anos, o abatimento tributário dos investimentos feitos em máquinas e equipamentos. Também é considerada a possibilidade de maior dinamismo nos investimentos públicos em razão das eleições municipais, que podem impulsionar obras das prefeituras em infraestrutura.

A expectativa é de crescimento neste ano de 1,7% da chamada formação bruta de capital fixo, que é o nome dado aos investimentos nas contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o crescimento da economia em 2024 não deve ser constante. No primeiro semestre, a tendência é de desempenho fraco, dada a queda da safra agrícola, que levará também a uma menor contribuição das exportações no PIB, além dos efeitos dos juros ainda restritivos. No segundo semestre, a atividade tende a ganhar tração, reagindo à redução dos juros, iniciada em agosto do ano passado, somada à continuidade da expansão da renda das famílias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.