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27/Feb/2024

G20 precisa impulsionar PIB global no médio prazo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pede aos integrantes do G20 ousadia para melhorar as perspectivas de crescimento no médio prazo, com vistas e um futuro mais equitativo, próspero, sustentável e cooperativo. A declaração está em discurso da autoridade nesta segunda-feira (26/02), por ocasião da cúpula de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, realizada nesta semana em São Paulo. Houve melhora recente nas perspectivas de crescimento de curto prazo, o que daria aos líderes do grupo uma oportunidade de retomar impulso político por propostas para o futuro. O FMI projeta que o mundo crescerá 3,1% neste ano, com inflação em queda e o mercado de trabalho se sustentando. Algumas tendências atuais, como o uso de inteligência artificial (AI), podem impulsionar a produtividade e melhorar as perspectivas de crescimento. As projeções de crescimento de médio prazo têm recuado a mínimas em décadas.

O crescimento baixo afeta a todos, mas têm implicações particularmente perturbadoras para os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento. Também foi mencionada a fragmentação geoeconômica, que tem crescido, o que afeta o comércio e os fluxos de capital. Além disso, os riscos climáticos aumentam e já afetam o desempenho econômico, da produtividade agrícola à confiabilidade do transporte e à disponibilidade e ao custo de seguros, lista. Esses riscos podem frear regiões com o maior potencial demográfico, como a África Subsaariana. O FMI destacou ainda a agenda do Brasil no comando do G20. Essa agenda traz itens cruciais, como inclusão, sustentabilidade e governança global, com uma bem-vinda ênfase em erradicar a pobreza e a fome. O FMI trabalha para apoiar essa agenda ambiciosa. Com a inflação perdendo fôlego e economias mais bem posicionadas para absorver uma postura fiscal mais apertada, chegou o momento de um foco renovado em reconstruir colchões contra choques futuros.

É preciso conter o aumento da dívida pública e criar espaço para novas prioridades de gastos. A espera pode forçar um ajuste doloroso mais adiante. Mas, para os benefícios serem duradouros, o aperto deve ocorrer em um ritmo cuidadosamente calibrado. O FMI pede um foco na cooperação, para lidar com a fragmentação geoeconômica e revigorar o comércio, maximizar o potencial da IA sem elevar a desigualdade, evitar gargalos em dívida e responder a mudanças climáticas. A economia global parece a caminho de um pouso suave, mas a atividade e as perspectivas de crescimento permanecem fracas. Na avaliação do staff do FMI, o processo de desinflação no G20 até agora ocorre sem detonar uma recessão, enquanto as economias emergentes têm demonstrado melhorada resiliência. Neste ano, a política monetária deve relaxar um pouco, enquanto as perspectivas de crescimento no médio prazo seguem contidas, o que reflete tendências seculares e desafios, entre eles o crescimento fraco da produtividade, o envelhecimento, fragmentação geoeconômica e vulnerabilidades globais.

O FMI considera que a sustentabilidade fiscal tem sido testada, com as condições de financiamento dos governos se mantendo em quadro desafiador no médio prazo, em meio a elevados e crescentes níveis de dívida pública. Por outro lado, com a recuperação econômica mostrando maior vigor, os riscos à perspectiva estão mais equilibrados. Entre os riscos de alta, o crescimento global poderia superar a previsão caso o ritmo da desinflação seja mais rápido que o antecipado, permitindo relaxamento monetário mais rápido, ou se a consolidação fiscal fosse mais gradual que o em princípio apontado. Como riscos de baixa, o FMI menciona saltos adicionais nos preços de commodities, a persistência da força do mercado de trabalho e tensões renovadas em cadeias globais, que puxariam para cima pressões inflacionárias. Caso induzido por estresse na dívida, o aperto fiscal seria mais rápido que o almejado por acontecimentos cíclicos e minaria o crescimento. Já mudanças a perspectivas na China, positivas ou negativas, seriam uma fonte de risco global.

No médio prazo, as perspectivas de crescimento fraco, bem como o risco de maior recorrência de protecionismo, teriam uma ameaça maior representada pela fragmentação geoeconômica, o que já inibe a integração comercial e financeira. As vulnerabilidades climáticas pesam nas perspectivas de médio prazo do crescimento global, com impacto desproporcional na África. Mesmo que o ritmo da globalização tenha desacelerado, permanecem as oportunidades de crescimento, entre elas do comércio e dos serviços digitais e da inteligência artificial (IA), caso aproveitadas de modo adequado. Uma combinação apropriada de política fiscal e monetária seria crucial para se chegar a um quadro de estabilidade de dívida, nos preços e financeira. A política monetária precisa garantir a estabilidade de preços e estar pronta a mudar para uma postura mais neutra, onde a inflação retorna à meta e o crescimento possa diminuir.

Ao mesmo tempo, os esforços de consolidação fiscal, usando um mix apropriado de medidas de receita e de gasto, não deveriam ser retardados, mas sim mantidos em ritmo que buscasse um equilíbrio correto entre estabilização da dívida e apoio ao crescimento inclusivo. No médio prazo, reformas orientadas e cuidadosas podem ajudar a impulsionar a produtividade. As autoridades do G20 devem reforçar esforços para mitigar a ameaça da mudança climática e apoiar a transição climática, a fim de ajudar a liberar o crescimento potencial da África. Também pede cooperação para lidar com a fragmentação, notadamente para evitar políticas comerciais que distorcem o quadro, além de fortalecer o sistema monetário internacional. O G20 tem um papel central para garantir que os benefícios da IA sejam totalmente explorados, enquanto os riscos são minimizados. A inflação retorna à meta mais rápido que o esperado pelo mundo, com notícias positivas do lado da oferta e uma política monetária apertada. Nesse quadro, o índice cheio da inflação desacelerou no segundo semestre de 2023 na maioria dos países do G20.

Os preços de combustíveis e alimentos também têm abaixado, apesar do conflito em Gaza com Israel e dos ataques no Mar Vermelho, por onde passa mais de 10% do fluxo de comércio global. Em economias avançadas, a desinflação tem sido apoiada pela perda de fôlego nos mercados de trabalho, mesmo que estes sigam mais apertados que antes da pandemia. Efeitos secundários também parecem contidos, diante de crescimento moderado no salário e de expectativas de longo prazo ainda ancoradas. Segundo o FMI, as pressões de desinflação sobre os preços de bens devem continuar, conforme as pressões sobre as cadeias de produção diminuem mais. No caso da inflação de serviços, que tem se mostrado mais arraigada, há a expectativa de que o quadro nos mercados de trabalho contribua para a desinflação, acrescenta. Em janeiro, o FMI estimou que a inflação no G20 fique em 6,5% em 2024. Mesmo com a desaceleração em muitas economias do grupo, o núcleo da inflação ainda deve seguir acima da meta em boa parte de 2024.

As expectativas para as taxas de juros em geral se moveram para baixo, conforme o processo de desinflação prossegue. As menores pressões inflacionárias reforçaram expectativas de cortes nos juros nas maiores economias neste ano e no próximo, acrescenta. A demanda por ativos de mercados emergentes e de economias em desenvolvimento tem crescido, conforme os spreads soberanos se movem mais perto para níveis pré-pandemia e os governos têm retornado aos mercados internacionais de dívida, desde o início deste ano. O FMI considera, contudo, que pressões fiscais testam as estruturas dos países, em quadro de dívida e custos de financiamento elevados. Houve um relaxamento na política fiscal dos países avançados do G20 em 2023, em resposta a uma crise de custo de vida. Entre os emergentes do grupo, o quadro fiscal na média teria seguido neutro em 2023, mesmo com relaxamento em alguns deles, China, Brasil e Rússia.

Uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária será crucial, mesmo que a inflação perca fôlego. Mas, há tendência subjacentes que podem deixar vulnerável a choques a já contida perspectiva de médio prazo. Outras, porém, poderiam representar oportunidades. O FMI avalia que o ritmo da globalização desacelerou, ante o crescente protecionismo. A fragmentação geoeconômica fica cada vez mais evidente nos fluxos de comércio e capital globais, menciona. A fragmentação continuada ameaça exacerbar mais os desafios existentes, entre eles a luta por capital, com implicações para a convergência no crescimento e na renda no médio prazo. A inteligência artificial, por sua vez, tem o potencial de impulsionar o crescimento, mas pode também exacerbar desigualdades de renda e disparidades na riqueza. Além de mencionar o tema, o Fundo sugere cooperação no G20 para ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas e facilitar a transição para a energia verde. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.