27/Feb/2024
Pântanos que armazenam mais carbono do que qualquer outro tipo de floresta, os manguezais são fundamentais para proteger a costa brasileira de eventos climáticos extremos. Mas, no Brasil, mais especificamente no Paraná, um tipo de capim exótico que se alastra como praga tem asfixiado esses ecossistemas. Essas plantas africanas foram trazidas ao Brasil na década de 1980 para servirem de pasto para búfalos e bois. Mas, ao longo dos anos, invadiram centenas de hectares de áreas úmidas no litoral paranaense.
O estuário da Baía de Antonina é o mais afetado atualmente, com 75 hectares contaminados biologicamente. Um grupo de pesquisadores que está em campo com a difícil missão de cortar, muda a muda, as imensas massas de braquiárias-d’água. Muitos rios pequenos estão fechados de braquiária. Nesses lugares, a pesca fica impossibilitada. Iniciado em 2023, o projeto Olha o Clima, Litoral, do Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, já conseguiu recuperar 4 hectares de mangues e tem a meta de chegar a 6 hectares até o fim deste ano. As branquiárias são plantas que formam moitas densas e se reproduzem com grande facilidade no ambiente de brejo, infestando o solo úmido com rizomas e raízes que sufocam a flora e a fauna nativas.
O litoral do Paraná é o segundo menor do País, com cerca de 100 Km, maior só que o do Piauí, mas conta com uma grande biodiversidade nos manguezais e brejos. Em uma área de brejo/mangue saudável, é possível encontrar saracuras (tipo de ave terrestre) andando, aves pequenas pulando de uma folhinha para outra (como o bicudinho-do-brejo e o tiê-sangue), formigas, caranguejos, furões, gambás, entre outros. Quando o ecossistema está desequilibrado pelas braquiárias-d’água, encontramos apenas grilos, mariposas e galinhas-d’água com menor frequência. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.