26/Feb/2024
Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o Brasil chega à transição energética com metade da infraestrutura que deveria ter, apesar das vantagens comparativas do País. O Brasil entra na transição energética com vantagens comparativas como estabilidade geopolítica; matriz energética 47% limpa, sendo 87% limpa, se levada e conta só a matriz elétrica; minerais críticos; garantia de segurança alimentar para o País e para o mundo; etanol; biomassa; e ainda pode ser o quinto produtor de biometano do mundo. Nenhum país tem todas essas vantagens comparativas combinadas, só que o Brasil tem metade da infraestrutura que deveria ter. O desafio é o custo de capital e concorrer com países que estão lançando planos de subsídios. Algumas indústrias que poderiam estar no País estão indo para os Estados Unidos produzir SAF (bioquerosene de aviação) e biocombustíveis.
Para resolver o dilema da infraestrutura, que afeta o custo Brasil e se arrasta há anos, a solução seria aumentar os investimentos na área, com apoio do BNDES e de agentes privados, como ocorreu no caso da Águas do Rio, empresa que ganhou a concessão do saneamento básico do Rio de janeiro e tem investimentos de R$ 19 bilhões viabilizados pelo banco. Esse investimento da Águas do Rio é o maior investimento do BNDES, tudo o que eles fizeram foi com estruturação do BNDES, envolvendo agentes privados. Mas, estruturação e presença do BNDES no projeto dão segurança para que os bancos privados acompanhem. No ano passado, as aprovações para o setor de infraestrutura do BNDES somaram R$ 58 bilhões, alta de 25% em relação ao ano anterior, enquanto o desembolso atingiu R$ 35 bilhões, de um total de R$ 114 bilhões, confirmando a infraestrutura como a maior área do banco.
Para este ano, a expectativa é que a taxa de crescimento das aprovações de projetos do banco seja pelo menos repetida, entre 25% e 30%, mas deveria ser bem maior, para fazer frente às necessidades do País. O BNDES tem capacidade grande de estruturação, mas não tem o subsídio. Mais de 80% do funding do banco é mercado, e os investimentos saem buscando custo de capital menor e subsídios. O que o BNDES consegue fazer ainda é dar funding de longo prazo. Para a infraestrutura o prazo é de até 35 anos e, para energia, 34 anos. Ressalta-se que em algum momento a sociedade brasileira terá de debater o aumento de investimentos em infraestrutura, o que passa por subsídios. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.