21/Feb/2024
Com a expectativa de que o mercado voluntário de créditos de carbono atinja o volume de US$ 20 bilhões de negociações no Brasil até 2030, segundo a consultoria Way Carbon, e com o avanço do projeto que regulamenta esse mercado na Câmara dos Deputados, o setor passou a ser um negócio interessante para empresas de todos os nichos. O mercado de créditos de carbono se torna extremamente interessante para as empresas que querem compensar as suas emissões, especialmente para as mais poluentes, que ganham tempo para reestruturar suas ações rumo à neutralidade de carbono e avançar no cumprimento das metas do Acordo de Paris. Nos últimos anos, empresas dos mais diversos portes anunciaram, ainda de forma voluntária, que passaram a compensar as suas emissões. A entrada de elétricas não apenas comprando, mas negociando créditos neste mercado, no entanto, tem crescido consideravelmente nos últimos anos.
As companhias Vibra e Comerc Energia lançaram em julho do ano passado uma trading de crédito de carbono para impulsionar o mercado, visando fornecer alternativas que possam neutralizar emissões de gases do efeito estufa para empresas até 2030. A AES Brasil anunciou em agosto de 2022 a sua entrada no mercado, com a comercialização de 465 mil créditos de carbono, o que corresponde a aproximadamente R$ 12 milhões de receita expressa no terceiro trimestre daquele ano. A Auren atua desde 2019 com a comercialização de créditos e certificados de energia renovável, além de ter criado em 2022 uma unidade de negócios especialmente dedicada a este mercado. Para a Lead Energy, a quantidade de novos projetos em prol do desenvolvimento do mercado de carbono, mesmo que voluntário, é sempre vantajoso para o País, tanto em termos financeiros quanto sustentáveis. No entanto, ainda não é um mercado maduro e a conscientização sobre sua serventia precisa ser discutida.
Muitas empresas ainda compram créditos de carbono e continuam a poluir igualmente, sem sequer ter planos factíveis de diminuição para os próximos anos. Neste caso, o que adianta a compra? A Comissão da União Europeia concluiu que 85% dos projetos examinados provavelmente não alcançariam suas reivindicações de redução em um levantamento de 2016. Além disso, a maioria dos projetos de preservação florestal não compensaram a quantidade de poluição que deveriam, ou trouxeram ganhos que foram rapidamente revertidos ou que não puderam ser medidos com precisão, segundo uma pesquisa do ProPublica de 2019, que analisou as últimas duas décadas desses projetos. O interesse crescente de empresas de energia tem relação direta com o próprio core business das companhias, considerando que o aumento de energia limpa no País, mesmo que a matriz energética do Brasil seja uma das mais limpas, é uma grande aposta do setor para a pauta ESG (boas práticas de meio ambiente, social e governança).
Essas companhias estão comercializando um item que todas as empresas, das mais poluentes as menos, estão querendo. As elétricas estão fazendo isso porque os assuntos estão ligados. É um assunto só vender energia verde, negociar preço e vincular a compra de créditos. A tendência é crescer cada vez mais no setor de energia, principalmente entre as comercializadoras de energia porque elas estão na ponta final da cadeia. Sobre as críticas de ambientalistas aos projetos de crédito que não propagam a necessidade de diminuir as emissões, a Auren Energia defende que a companhia tem a plena ciência de que a jornada de descarbonização tem que ter como foco a redução de emissões e que tem planos de fortalecer a pauta em seu e-commerce. A ideia é trabalhar como uma figura de consultor de liderança climática no plano de negócios de 2025 da empresa. Ainda é preciso alinhar diversas coisas internamente, desde ‘time’ à estrutura mesmo, mas essa consultoria com foco na redução é essencial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.