20/Feb/2024
Segundo o Monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,0% no ano de 2023. No quarto trimestre de 2023 ante o terceiro trimestre de 2023, a economia cresceu 0,1%. Em relação ao quarto trimestre de 2022, houve expansão de 2,3%. No mês de dezembro de 2023 ante novembro de 2023, o PIB avançou 0,6%. Na comparação com dezembro de 2022, houve crescimento de 2,1%. Em termos marginais, a economia cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre, em comparação ao terceiro. Embora com clara tendência de desaceleração nessa comparação, o resultado mostra resiliência da economia apesar das fragilidades de um crescimento anual concentrado e bastante influenciado por commodities.
O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais. A agropecuária foi fundamental para o desempenho do PIB de 2023. Aproximadamente 30% do crescimento de 3,0% da economia deveu-se diretamente a esta atividade, em particular ao desempenho da soja na Região Centro-Sul do País. Esse contexto mostra forte concentração setorial e regional e evidencia que o crescimento econômico não foi sentido de modo uniforme no País. Devido ao agronegócio, o efeito do excelente desempenho agropecuário no ano se estendeu para outras atividades econômicas, o que potencializou sua influência na economia.
No entanto, cabe também destaque para o desempenho positivo da indústria e do setor de serviços em 2023. Nos serviços, o crescimento foi generalizado, padrão diferente do observado na indústria. Atividades industriais relevantes para impulsionar a economia, como a transformação e a construção, retraíram em 2023. Pela ótica da demanda, o consumo e as exportações cresceram a taxas acima do PIB (3,2% e 9,5%, respectivamente), porém a formação bruta de capital fixo apresentou queda, o que contribuiu para a redução da taxa de investimentos do País. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 3,2% em 2023, puxado pelo consumo de serviços, apesar da perda de força vista ao longo do ano. O consumo de produtos não duráveis também teve uma contribuição expressiva para esse resultado positivo, com crescimento de 3,6%, mantendo-se estável ao longo do ano.
Por fim, o consumo de bens duráveis cresceu desde meados do ano, fechando 2023 com 3,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) teve uma retração de 3,4% no ano de 2023. O desempenho de máquinas e equipamentos preocupa, pois vem acumulando quedas ao longo do ano e fechou com retração de 8,5% no ano. A construção também contribuiu negativamente para esse resultado, com queda de 0,5%. O único componente a apresentar taxa positiva (3,7%) foi o de outros (ativos) da FBCF. Cabe destacar a exportação dos produtos agropecuários, que cresceu 25,3% no ano. Somado a isso, os produtos da extrativa mineral também tiveram desempenho expressivo no ano, tendo crescido 16,7%, contribuindo para elevada taxa de crescimento das exportações.
A importação de bens e serviços caiu 1,1% em 2023, sob a influência negativa dos bens intermediários (-3,9%) e dos produtos da extrativa mineral (-11,1%). Por outro lado, a importação de bens de consumo e de serviços contribuiu positivamente para esse componente, evitando maiores quedas. Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 10,740 trilhões no de 2023, em valores correntes. Em termos reais, nota-se continuidade da trajetória ascendente desde 2021 tendo sido o ano de 2023 o de maior valor de PIB real da série histórica. O PIB per capita de 2023 foi de R$ 52.611,00 mantendo a trajetória de crescimento retomada em 2021, embora ainda em nível ligeiramente inferior ao observado nos anos de 2013 e 2014. A taxa de investimento da economia foi de 18,1% em 2023. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.