15/Feb/2024
Os países da União Europeia (UE) se orgulham de defender o meio ambiente. Mas, essa reputação está sendo testada pelos protestos de agricultores por toda a Europa. Agora, a Comissão Europeia pretende abandonar planos de reduzir em 50% a utilização de pesticidas. Além disso, a União Europeia também decidiu na semana passada tirar o setor agrícola de um cronograma rigoroso para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 90% antes de 2040. Diversos fatores que levaram os agricultores a protestar nas últimas semanas, causando alguns danos em capitais como Paris. Estes incluem o aumento dos custos, o aumento da dívida, a concorrência de mercados mais baratos e a queda dos preços de venda. O preço médio dos produtos agrícolas que os agricultores recebem diminuiu 9% no terceiro trimestre de 2023, em comparação com o ano anterior. As manifestações atravessaram o Canal da Mancha e chegaram ao Reino Unido.
Agricultores britânicos, cujo país já não faz parte da União Europeia, fizeram uma demonstração improvisada de tratores na cidade portuária de Dover no dia 9 de fevereiro, enquanto protestavam contra as importações estrangeiras de alimentos. O Comissário da Agricultura da União Europeia, Janusz Wojciechowski, afirmou estar “feliz” com as mudanças, pois, segundo ele, as decisões não haviam sido totalmente justas. É preciso reduzir o uso de pesticidas, mas não forçar os agricultores a fazer isso. Ele afirmou que que a solução é fornecer mais subsídios financeiros ao setor para incentivá-lo a prosseguir práticas mais verdes. Os agricultores estão no centro de uma das peças legislativas mais importantes e históricas da União Europeia: a Política Agrícola Comum, que fornece € 55 bilhões (R$ 291 bilhões) todos os anos em subsídios ao setor. A União Europeia pretende tornar-se neutra em carbono até 2050. Quer também reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990.
Esta é a meta geral para toda a economia, mas na agricultura é preciso ter em conta as suas especificidades. A reavaliação das suas políticas climáticas ocorre em um momento em que a União Europeia se aproxima das eleições parlamentares em junho, que deverão trazer mais legisladores de extrema-direita para o Parlamento. Segundo o H.E.C. Paris Business School, a questão dos agricultores deverá dominar a competição eleitoral, tornando-se uma das poucas questões que vai envolver todos os países e todos os partidos. O próximo ciclo político da União Europeia (2024-2029) será menos verde. Os protestos recentes são apenas um prelúdio de novos confrontos que estão por vir. Segundo o think tank Farm Europe, os agricultores precisam de mais apoio ao investimento. Os agricultores já não têm acesso a dinheiro barato e os banqueiros estão muito mais relutantes em emprestar. É necessário refletir dentro da União Europeia sobre como concretizar a transição, porque é claramente necessário seguir em frente. Fonte: Forbes. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.