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30/Nov/2023

Projeções para o crescimento da economia global

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou levemente para baixo a previsão para o crescimento mundial em 2023, de 3,0% para 2,9%, e manteve a estimativa de expansão de 2,7% para 2024. As novas projeções foram divulgadas no documento “OCDE Perspectiva Econômica” e as anteriores foram informadas no Relatório Interino de Perspectiva Econômica trimestral em setembro. Para 2025, a previsão é de uma alta de 3,0%, mas o dado não foi relatado no estudo anterior para aquele ano. A projeção do PIB dos Estados Unidos foi elevada de 2,2% para 2,4% neste ano e de 1,3% para 1,5% em 2024. Para 2025, a estimativa é de 1,7% de expansão. Em relação à zona do euro, foi mantida a previsão de 0,6% para este ano, mas a de 2024 caiu de uma elevação de 1,1% para 0,9%. Em relação a 2025, é esperada uma alta de 1,5%.

Para a China, houve leve aumento nas previsões do PIB deste ano, de 5,1% para 5,2%, e para 2024, de 4,6% para 4,7%. A estimativa é de alta do Produto Interno Bruto do país asiático de 4,2% em 2025. No caso do Japão, a projeção para o crescimento em 2023 tem leve baixa, de 1,8% para 1,7%, e para 2024, a previsão se manteve em 1,0%. Para 2025, a estimativa é de um aumento do PIB de 1,2%. Em relação ao crescimento real do comércio internacional, a previsão é de alta de 1,1% neste ano, elevação de 2,7% em 2024 e incremento de 3,3% em 2025. O crescimento global continua a enfrentar desafios de inflação persistente e perspectivas de um ritmo de expansão menor do nível de atividade. A expansão mundial foi mais forte do que o esperado em 2023, mas está moderando, inclusive no setor imobiliário, com o impacto do aperto das condições financeiras geradas pela alta dos juros pelos principais bancos centrais a fim de conter a inflação elevada.

Além disso, o comércio internacional é fraco e os níveis de confiança dos cidadãos estão baixos e afetam o consumo. Intensificadas tensões geopolíticas estão também agregando incertezas sobre o cenário no curto prazo. Deve continuar uma crescente divergência sobre o desempenho do PIB de países, com um avanço mais acentuado em mercados emergentes com resultados melhores do que os registrados por economias avançadas A expansão na Europa será menor do que a que ocorrerá na América do Norte e nas principais nações asiáticas. O índice de preços ao consumidor nos países do G20 deve diminuir gradualmente, declinando de 6,2% neste ano para 5,8% em 2024 e 3,8% no ano seguinte. Para 2025, a inflação é projetada para retornar à meta nas principais economias. A OCDE aponta que os riscos para a redução do PIB global são maiores do que os de aumento do ritmo de expansão no curto prazo. Intensificadas tensões geopolíticas devido ao conflito após os ataques terroristas do Hamas em Israel são uma preocupação chave, particularmente se o conflito se ampliar.

Tal cenário pode resultar em significativas rupturas nos mercados de energia e em importantes rotas de comércio, além de provocar reprecificação de riscos de ativos financeiros, elementos que poderão desacelerar o crescimento e elevar a inflação. Fatores contrários vindos do aumento de restrições a exportações e importações, políticas protecionistas e reestruturação das cadeias internacionais de produção também estão contribuindo para uma perspectiva incerta para o comércio global, o que pode prejudicar a produtividade e desenvolvimento de países. A continuidade de pressões de custos, renovadas altas de energia e de preços de alimentos ou sinais de elevação de expectativas de inflação poderiam obrigar bancos centrais a manter as taxas de juros mais altas por um tempo maior do que o esperado, gerando potencialmente estresse adicional nos mercados financeiros.

As projeções para os Estados Unidos assumem que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) começará a cortar os juros no terceiro trimestre de 2024, depois de a inflação ter baixado para perto da meta de 2,0%. Os Fed funds atingirão uma marca entre 4,0% e 4,25% no final de 2025, sendo que os juros dos títulos do tesouro americano de 10 anos alcançarão o mesmo nível naquele período. A política fiscal deve ser mais apertada nos Estados Unidos em 2024 e neutra em 2025. A dívida pública bruta do país como proporção do PIB deve avançar de 120,9% neste ano para 123,8% em 2024 e atingir 127,1% em 2025. Com um pouso suave da economia norte-americana, a estimativa é de que a taxa de desemprego atinja 4,1% no próximo ano e 4,2% em 2025. A inflação alta na zona do euro deverá levar o Banco Central Europeu a manter a taxa de juros em 4,0% até a primavera de 2025.

O núcleo do índice de preços ao consumidor na região baixará de 5,1% em 2023 para 3,1% em 2024 e alcançará 2,3% no ano seguinte. Condições monetárias devem continuar apertadas para assegurar a continuidade da desinflação. Um período de crescimento abaixo do potencial ajudará a reduzir as pressões sobre os preços, inclusive as originárias do mercado de trabalho com taxas de desemprego baixas para o continente e efeitos de curto prazo de gastos públicos adotados durante a pandemia para estimular a economia. A China vai desacelerar o ritmo de crescimento do PIB, de 5,2% neste ano para 4,7% em 2024, sobretudo devido à grande probabilidade de o consumo doméstico continuar moderado com o avanço de poupança das famílias, em uma conjuntura marcada pela crise do setor imobiliário, que reduz investimentos e a criação de empregos.

Contudo, o relaxamento de algumas exigências para a compra da segunda propriedade pelos cidadãos em grandes cidades e a redução dos juros de hipotecas podem melhorar a venda de imóveis. A estabilização do setor de moradias irá gerar uma recuperação das receitas orçamentárias em nível local. Em meio a vários desafios, como a continuidade da demanda externa fraca e o elevado endividamento público e de empresas, a política monetária na China deve continuar acomodatícia no curto prazo e cortes adicionais de juros podem ser necessários. A política fiscal no país pode prover mais apoio para melhorar as condições financeiras de diversos governos locais, ao mesmo tempo que pode colaborar no financiamento de projetos de infraestrutura e reconstrução de áreas urbanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.