22/Nov/2023
Após recuar mais de 1% na véspera, quando parte das cidades no Brasil estiveram fechadas pelo feriado do Dia da Consciência Negra (20/11), o dólar fechou em alta firme ante o Real nesta terça-feira (21/11), em meio a ajustes de preços, a receios com a área fiscal e à alta da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas, em dia de divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O dólar fechou a R$ 4,89, em alta de 0,95%. Em novembro, a moeda acumula baixa de 2,82%. Na segunda-feira (20/11), quando várias praças de negócios permaneceram fechadas em função do Dia da Consciência Negra, o dólar cedeu 1,09% ante o Real, numa sessão marcada pela baixa liquidez. O forte recuo abriu espaço para que, nesta terça-feira (21/11), houvesse um ajuste de preços e posições no mercado. Segundo o Banco Mizuho, tem um pouco de payback (retorno) de segunda-feira (20/11), quando o Real ganhou bem perante o dólar.
Foi um dia de liquidez menor, por ser feriado em alguns lugares, então nesta terça-feira (21/11) há um pouco de devolução dos exageros, na medida em que a liquidez volta ao normal. No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território negativo, marcando a cotação mínima de R$ 4,84 (-0,21%). Mas, o movimento não se sustentou em função dos ajustes de preços, após a forte queda da véspera. Além disso, os investidores aguardavam pela divulgação da ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve, marcada para as 16h, e monitoravam o noticiário no Brasil. Os receios em torno da questão fiscal permearam os negócios com juros futuros e contribuíram para sustentar as cotações do dólar ante o Real. Depois, surgiu a notícia de que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou a votação do projeto que muda a forma de tributação de fundos exclusivos e offshore para esta quarta-feira (22/11), após um pedido de vista da oposição.
O projeto, que faz parte dos esforços do governo para melhorar a arrecadação, teve seu parecer apresentado nesta terça-feira (21/11) na CAE pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da proposta. Logo depois, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), pediu vista. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que o governo quer regulamentar na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024 os limites de crescimento máximos e mínimos de despesas definidos pelas novas regras fiscais, argumentando que isso "fortalece" o arcabouço para as contas públicas. Segundo ele, os limites máximo e mínimo de crescimento real das despesas (de 0,6% a 2,5%) visam evitar "arranjo pró-cíclico" na política fiscal. No exterior, o dólar sustentava ganhos ante divisas fortes e em relação a boa parte das moedas de países emergentes e exportadores de commodities, o que contribuía para a alta das cotações no Brasil.
Às 15h25, o dólar marcou a máxima de R$ 4,90 (+1,15%). Após a divulgação da ata do Fed, o cenário se manteve, corroborando o avanço do dólar ante o Real. No documento, o Fed registrou que suas autoridades poderão adotar uma abordagem cautelosa para a taxa básica de juros dos Estados Unidos e que só precisarão aumentá-la se as informações recebidas mostrarem progresso insuficiente na redução da inflação. O documento foi divulgado às 16h, demonstrando ainda uma preocupação do comitê de política monetária do Banco Central dos Estados Unidos com a inflação, que permanece elevada e distante da meta de 2%, embora, por outro lado, comece a apresentar sinais de arrefecimento, pontuou a B&T Câmbio. O dólar recupera parte das perdas dos últimos dias, com cautela dos investidores diante de um cenário com maiores incertezas globais envolvendo a trajetória de juros e déficit fiscal nos Estados Unidos e o risco de recessão na Europa. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,12%, a 103,570. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.