17/Nov/2023
Os presidentes Joe Biden e Xi Jinping defenderam, na quarta-feira (15/11), a redução das tensões entre Estados Unidos e China em uma aguardada e primeira reunião dos líderes em um ano. A conversa, que ocorreu à margem da cúpula anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), é uma tentativa de moderar o tom, dos dois lados, em questões como Taiwan, sanções e intercâmbio comercial. No seu discurso de abertura, Biden lembrou que os dois se conhecem há muitos anos e nem sempre concordaram, mas acrescentou: “Receber você nos Estados Unidos é uma grande honra e um prazer”. “O planeta Terra é grande o suficiente para ambas as superpotências”, disse Xi, por sua vez. Segundo o líder chinês, seus países são muito diferentes, mas deveriam ser totalmente capazes de superar essas diferenças. Ele afirmou acreditar firmemente no futuro promissor da relação bilateral.
Após meses de negociações diplomáticas delicadas e em meio a um cenário internacional em ebulição, Xi viajou aos Estados Unidos para o encontro cuidadosamente coreografado que aconteceu em uma casa histórica próximo do campus de Stanford, na Califórnia. A visita tinha o objetivo de estabilizar a conturbada relação entre os países que atingiu um ponto alto em fevereiro, quando um balão espião chinês sobrevoou parte do território norte-americano antes de ser abatido por um caça dos Estados Unidos. Em um sinal de avanço, os dois países, maiores poluidores climáticos do mundo, concordaram em enfrentar conjuntamente o aquecimento global com um acordo para aumentando a produção de energia renovável para tentar substituir os combustíveis fósseis. Tanto para Xi quanto para o presidente norte-americano, esta reunião ocorreu em um momento crucial.
Faltando apenas um ano para as eleições presidenciais norte-americanas, a popularidade de Biden está em declínio, enquanto seu mandato corre o risco de ficar marcado pelas guerras em Gaza e na Ucrânia. A China, por sua vez, passa por seu período mais economicamente frágil da última década, à medida que os atritos regionais aumentam e o potencial produtivo nacional fica para trás quando comparado com outras nações como a Índia. O último encontro entre os líderes das maiores economias do mundo ocorreu em novembro, durante a cúpula do G20, em Bali. À época, promessas de maior cooperação bilateral proporcionaram um clima efêmero de reconciliação. O comprometimento de ambas as nações, contudo, foi submetido a várias provas. A guerra comercial adotou nos últimos meses uma série de medidas para bloquear a exportação de tecnologias avançadas de chips para impedir seu uso militar na China.
Em retaliação, a China ampliou as restrições comerciais sobre minerais essenciais para os Estados Unidos. No campo militar, houve uma escalada de hostilidades após incidentes tanto no mar quanto no ar, envolvendo navios e caças no Estreito de Taiwan e no Mar do Sul da China, regiões disputadas que a China reivindica como parte de seu território. Segundo o Centro de Análise da China do Asia Society Policy Institute, os Estados Unidos têm trabalhado para reparar o seu relacionamento com a China, priorizando o gerenciamento das diferenças em vez de buscar grandes avanços. O objetivo é evitar uma escalada na retórica e nas ações tensas, com foco em abordar as preocupações relacionadas às interações militares, à crise do fentanil e ao estabelecimento de barreiras comerciais. A China cortou a comunicação militar direta com os Estados Unidos em agosto de 2022, quando a democrata e então presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, fez uma visita oficial a Taiwan.
A reunião do dia 15 de novembro ocorreu em um novo contexto e dá indícios de que ambos os países têm interesse em mudar a situação atual. Biden, então, pode pressionar para restabelecer o contato militar e garantir maior tranquilidade no Mar do Sul da China. O presidente da China, Xi Jinping, defendeu uma relação estável, saudável e sustentável e de cooperação com os Estados Unidos, e "respeito mútuo". O líder chinês realizou declarações públicas, no dia em que se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em São Francisco. As falas de Xi pedem que se evite uma "mentalidade de soma zero" ou que se provoquem conflitos entre as partes, levando o mundo a divisões. Ele disse que os dois países compartilham interesses comuns em muitos campos, como economia, comércio e agricultura, bem como em temas emergentes como mudanças climáticas e inteligência artificial. Segundo o governo chinês, Xi também deixou claro a posição sobre Taiwan, e enfatizou que os Estados Unidos não devem apoiar a independência de Taiwan com ações concretas, e precisam parar de enviar armas a Taiwan.
A China eventualmente será reunificada, afirmou. Xi disse ver espaço ilimitado para cooperação entre os dois lados. O presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou que reiterou em seu encontro com o presidente chinês, que os Estados Unidos mantêm a política de China Única. Biden também reiterou ao líder do país asiático que os Estados Unidos não querem nenhuma interferência da China nas eleições à Casa Branca em 2024. O presidente norte-americano reiterou que os Estados Unidos e a China têm relacionamento competitivo, mas sua responsabilidade é tornar racional e administrável. Biden também apontou que tratou com Xi sobre a guerra em Israel. A secretária do Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, afirmou que a reunião entre o presidente Joe Biden e Xi Jinping, foi produtiva, com foco em gerenciar a competição e encontrar oportunidades de enfrentar desafios globais compartilhados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.