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10/Oct/2023

Brasil está se preparando para presidência do G20

A menos de dois meses para o start oficial, a presidência rotativa do grupo das 20 maiores economias do globo (G20) no Brasil começa a tomar forma. Os preparativos daquele que é considerado o maior evento que o Brasil já sediou, requer mais logística do que a Rio 92, a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio. Haverá cerca de 100 reuniões que ocorrerão pelas cinco regiões do País a partir de 1º de dezembro. Essa é a data em que o Brasil passará oficialmente a reger o grupo, tarefa que hoje está com a Índia. Tido pelo governo como o evento mais desafiador e grandioso do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o G20 no País será seguido por dois outros acontecimentos de alto nível em 2025: a reunião dos Brics e a COP30. Não há dúvidas, portanto, de que o Brasil, para o bem ou para o mal, se tornará uma vitrine internacional.

São três megaeventos que vão dar ao País uma visibilidade diferente daquela que teve nos últimos anos, frisou o presidente Lula. Por questões geopolíticas, o mandatário brasileiro aposta alto no G20. Tanto que já expôs sua vontade de esvaziar os Brics e o grupo das sete maiores economias do mundo (G7) em prol dessa organização mais ampla. Assim, é importante prestar atenção aos movimentos, organizar os investimentos e olhar para o futuro. Por isso, haverá uma sequência de reuniões que têm viés político, geopolítico, ambiental, cultural e econômico. O G20 no Brasil tem início no dia 1º de dezembro, com uma forte pegada verde. Os motores começam a ser ligados com uma primeira reunião, já em dezembro, de sherpas e deputies, jargões usados respectivamente para os encarregados do Ministério das Relações Exteriores e da trilha de Finanças, que é compartilhada entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central.

Estes são sempre os dois pilares do evento em todo o mundo. A primeira estimativa oficial para organização de reuniões foi apresentada na semana passada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços (MGI) a potenciais fornecedores. Serão R$ 335 milhões para a realização dos encontros, aluguel de carros e serviço de refeição, por exemplo. A ordem de grandeza desse número é uma preocupação para o governo em um momento em que quer entregar no ano que vem, justamente o da realização do evento, um déficit primário zero. Mesmo que o governo consiga parcerias de órgãos públicos, municípios e Estados, o volume de recursos depositados na realização da edição doméstica tende a ser bem maior. Brasília e Rio de janeiro concentrarão metade das reuniões do G20 brasileiro.

Na semana passada, foi apresentada a lista oficial das cidades mais prováveis de sediarem as reuniões, mas a decisão será tomada em 1º de dezembro. Apenas a reunião de líderes está definida com data e local oficiais: será em novembro, no Rio de janeiro. Mas, no total, estão previstos 104 encontros ao longo dos 12 meses: 74 de grupos de trabalho, 22 ministeriais e sete da área diplomática e de vice-ministros de finanças, além do Summit. A secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda adiantou que o Brasil pretende levar ao evento a transição ecológica e a progressividade de tributos. Assuntos como tributação externa e evasão fiscal terão peso nas discussões econômicas, assim como a defesa de mobilização de recursos para a transição ecológica.

E, como já vem destacando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um olhar especial para a África, com vistas a buscar saídas de longo prazo para mitigar a dívida de países do continente. No discurso em que marcou a abertura dos trabalhos informais do Brasil na presidência rotativa do grupo, ainda na Índia, o mandatário brasileiro anunciou que o lema do G20 sob a batuta doméstica será "Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável". As três prioridades da presidência local serão: inclusão social e combate à fome; transição energética e desenvolvimento sustentável em suas três vertentes (social, econômica e ambiental) e reforma das instituições de governança global. Na berlinda das discussões, FMI, OCDE, ONU e Bird, serão instituições tradicionais a participarem na edição brasileira, mas o País convidará também o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), mais conhecido como Banco dos Brics.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reforçado em seus discursos fora do País o que almeja politicamente ao comandar o G20 a partir de dezembro. Os objetivos na área econômica, entretanto, são ambiciosos e contam com um risco significativo de pouco saírem do lugar. A proposta de reforma em instituições multilaterais passa pela recomendação de que bancos de desenvolvimento comecem a emprestar mais na moeda do tomador, ficando eles com o risco cambial da operação. Aperto na regulação de criptoativos e uma varredura nos fundos sustentáveis também estão na mira da equipe econômica. Na trilha comandada pela diplomacia, a missão é sair do discurso e mostrar aos participantes de fora o avanço do País na transição energética já realizada no Brasil.

Por isso, a escolha de Foz do Iguaçu (PR) como um dos locais de reunião foi feita a dedo. É nessa cidade que está instalada a Usina Hidrelétrica de Itaipu. Para evitar problemas de organização vistos na edição indiana, o Brasil tem pressa em acelerar os trabalhos. Fontes informaram que, logo após o período de recuperação de uma cirurgia no quadril no final do mês passado, Lula pretende convocar a primeira reunião da comissão nacional do grupo, formada pelos ministros participantes e com a presença dos embaixadores dos países do G20 que atuam no Brasil. O encontro deve ocorrer ainda este mês ou, no máximo, no início de novembro. Tido como um diferencial na edição doméstica, por determinação do chefe do Executivo, a sociedade civil ganhará mais peso na presidência em relação às edições anteriores.

Já se fala, inclusive, na possibilidade da realização de um evento com grupos de engajamento paralelo à reunião de cúpula de líderes, prevista para novembro, no Rio de Janeiro. Em termos globais, os países ricos estão tensos com a sequência de nações emergentes no comando do grupo justamente num momento em que a China tem ampliado sua influência sobre países em desenvolvimento. Depois da Índia, o Brasil sediará o evento no ano que vem, e será seguido pela África do Sul. No ano passado, foi a vez da Indonésia ser a anfitriã. Internamente, é preciso lembrar que o G20 ocorrerá num ano de eleições municipais e isso, junto com a pressão dos ministros que têm atividades no evento, foi fonte de pressão para a escolha das cidades onde ocorrerão os eventos.

Apesar do momento político, leis domésticas impedem que se veja em território nacional a estratégia do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pelas ruas do país ao longo dos últimos meses. Em termos operacionais, um dos momentos mais tensos do G20 em todas as edições, principalmente nas últimas, é a confecção de comunicados. Tanto que, na Índia, houve apenas, e com muito custo, o documento formulado na cúpula, sem os tradicionais textos das reuniões ministeriais. Para tentar obter sucesso no Brasil, o governo vai propor que esse trabalho de conclusão das discussões seja mais enxuto, com cada segmento se debruçando puramente sobre suas áreas de atuação e sem abordar assuntos mais macro, como a guerra da Ucrânia, por exemplo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.