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25/Sep/2023

Brasil e EUA: chance de aliança econômico-comercial

O sucesso do encontro entre os presidentes Lula da Silva e Joe Biden em Nova York, no dia 20 de setembro, não deve ser mensurado pela anunciada carta de intenções contra a precarização do trabalho, mas sim pelo campo que pode ser aberto para uma relação mais profunda entre as duas economias. Para isso, contudo, é preciso que o pragmatismo prepondere de lado a lado e que o diálogo seja preservado da contaminação ideológica. O desafio comum a ambos os países, de transformação sustentável de suas economias, assinala a oportunidade de construção de uma aliança econômico-comercial mais robusta, que não pode e nem deve ser perdida. A conversa nada garante por enquanto, além das imagens eternizadas do aperto de mãos. Seria ingênuo esperar anúncios bombásticos de uma reunião realizada às margens da Assembleia-Geral das Nações Unidas. A anunciada Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras serve para mostrar que o diálogo construtivo é possível, embora incerto.

O histórico da relação do Brasil com os Estados Unidos traz uma coleção de oportunidades desperdiçadas nas últimas duas décadas, prova de que uma conversa afinada entre os presidentes não é suficiente para alavancar uma maior integração da produção, do comércio e dos investimentos entre os países, com base no respeito e em seus genuínos interesses. Em 2007, o resultado mais palpável da prosa amistosa entre Lula da Silva e o então presidente norte-americano, George W. Bush, foi um protocolo para fazer do etanol uma commodity, algo que mal passou do papel. Perdeu-se entre os atritos dos dois países e ressurge agora, com enorme atraso, como contribuição para a transição energética mundial. Da conversa azeitada entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, restou a lamentável declaração de amor incondicional do segundo ao primeiro nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU de 2019.

A política externa disruptiva do então presidente brasileiro não só envergonhou o País mundo afora, como foi incapaz de construir uma mínima aliança econômica com os Estados Unidos, ou com qualquer outra Nação, para enfrentar os desafios do comércio global, da fragmentação política e das ameaças ambientais e sanitárias, como a pandemia. Ao lado de Biden, em Nova York, Lula afirmou que aquele encontro significava o “renascer” da parceria bilateral. Em raro momento de convergência, o Brasil busca investimentos estrangeiros para uma reindustrialização focada em sua matriz energética limpa, e os Estados Unidos reorientam suas importações de manufaturas para países próximos também no âmbito da defesa da democracia. Estados Unidos e Brasil têm diferenças marcantes em suas visões geopolíticas e sobre a aplicação das regras do direito internacional, mas sempre é possível encontrar pontos em comum para questões urgentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.