22/Sep/2023
Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na quarta-feira (20/09), nova redução de 0,5% para a Selic, que caiu de 13,25% para 12,75% ao ano, menor patamar desde maio de 2022. Apesar de não ter citado a evolução da questão fiscal entre os fatores de risco para a inflação, o Copom dedicou um parágrafo no comunicado divulgado após sua reunião para destacar a importância de o governo cumprir as metas de resultado primário já estabelecidas, sob o risco de limitar a queda da taxa básica de juros. Enquanto o mercado tem levantado dúvidas sobre a capacidade de a equipe econômica atingir a meta de déficit primário zero fixada para 2024, o Copom destacou a relação entre esse objetivo e a convergência da inflação futura para patamares menores.
Tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o comitê reforça a importância da firme persecução dessas metas, destacou o colegiado. A manutenção da meta de déficit zero no próximo ano tem enfrentado resistências de parte de integrantes do próprio governo e ainda no Congresso, mas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem afirmado que ela é importante para indicar o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas. Para atingir a meta, porém, o governo ainda tenta garantir pelo menos R$ 168 bilhões em receitas extras. O colegiado voltou a prever para as próximas reuniões novos cortes na mesma intensidade, ou seja, de 0,50%.
Na avaliação do Copom, um ritmo de queda de 0,50% continua sendo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário. No texto, o Copom não dá informações sobre o tamanho total do ciclo de queda dos juros. Entre analistas, ganhou destaque a referência às metas fiscais. Para a ASA Investments, pode ser lida como o comentário fiscal mais duro perante as dificuldades do governo em conseguir mais receita. A consultoria britânica Capital Economics chamou a atenção para a avaliação de que dificilmente o Copom vai acelerar o ritmo de corte dos juros. Tem havido algumas expectativas (parcialmente precificadas nos mercados) de que o Copom possa mudar para cortes maiores do que 50 pontos-base (0,5%). Não há nada no comunicado que sugira que isso esteja previsto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.