08/Sep/2023
O combate à fome em todo o mundo continua a ser a diretriz dos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e no exterior. É preciso observar, no entanto, o ajuste que o mandatário vem fazendo em suas falas dentro e fora do País. Não só em relação ao início deste governo, mas principalmente na comparação com seus dois primeiros mandatos. Lula segue mencionando repetidamente dados da população mundial que está abaixo da linha da pobreza e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Apesar de não ter abandonado o tema pelo qual se diz apaixonado, o combate à fome, cada vez ganha espaço um discurso mais voltado à sustentabilidade. Primeiro, porque este é um diferencial natural do Brasil e segundo porque Lula percebeu que temas ligados ao meio ambiente ganham mais engajamento no mundo e podem, de fato, gerar mais recursos para o globo e o País. O presidente passou a ser, portanto, mais pragmático.
Nos três discursos que fará neste fim de semana (9 e 10 de setembro) em Nova Délhi, na Índia, onde ocorrerá a reunião de cúpula do grupo das 20 maiores economias do globo (G20), o chefe do Executivo abordará mais uma vez o tripé que vem fazendo parte de seus pronunciamentos mais recentes. Um deles é o combate à pobreza e a fome, no caso estendido do G20, a desigualdade entre povos e países. O segundo tratará de questões verdes. E o terceiro é a necessidade de remodelação de organismos internacionais, que já tem o apoio dos Estados Unidos, mas é visto com alguma reticência pela União Europeia (UE). Nessa fala não ficarão de fora assuntos como a necessidade de transição digital e energética global, mas dentro dos grandes tópicos. Lula seguirá com a ideia de que a diminuição do desmatamento no País e em outras nações e a redução das emissões de gases de efeito estufa por todo o planeta são um caminho sem volta.
Fará, no entanto, questão de mostrar a correlação direta dessas ações com a vida das pessoas. Não basta ter uma árvore de pé na Amazônia, mas o ser humano precisa se beneficiar do fruto e da sombra dessa árvore. Na avaliação dessas fontes, não é que o discurso do brasileiro tenha mudado, mas foi ajustado para não ficar apenas na questão retórica. Há uma arrumação na rota, pois o presidente percebeu que onde está o dinheiro é no meio ambiente. O próprio presidente deu detalhes esta semana sobre alguns pontos que abordará no G20, destacando um acordo com o anfitrião envolvendo combustível renovável e a luta contra a desigualdade. Brasil e Índia vão discutir a questão do etanol como combustível alternativo, que é extremamente importante, além de uma luta contra a desigualdade. O Brasil volta a fazer com que o mundo o respeite pela seriedade com que o governo trata as pessoas e a seriedade com que trata a questão do clima. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.