19/Mai/2023
Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (18/05), a taxa de desemprego aumentou de forma estatisticamente significativa em 16 das 27 Unidades da Federação na passagem do quarto trimestre de 2022 para o primeiro trimestre de 2023. Na média nacional, a taxa de desemprego subiu de 7,9% no quarto trimestre de 2022 para 8,8% no primeiro trimestre de 2023. Em São Paulo, a taxa de desemprego aumentou de 7,7% para 8,5% no período. No primeiro trimestre, as maiores taxas de desocupação foram as da Bahia (14,4%), Pernambuco (14,1%) e Amapá (12,2%). Os menores resultados foram registrados em Rondônia (3,2%), Santa Catarina (3,8%) e Mato Grosso (4,5%). O desemprego entre as mulheres permanecia consideravelmente mais elevado do que entre os homens no País no primeiro trimestre de 2023.
A taxa de desemprego foi de 7,2% para os homens no primeiro trimestre, ante um resultado de 10,8% para as mulheres. Por cor ou raça, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional para os brancos, em 6,8%, muito aquém do resultado para os pretos (11,3%) e pardos (10,1%). A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto foi de 15,2%, mais que o triplo do resultado para as pessoas com nível superior completo, cuja taxa foi de 4,5%. No primeiro trimestre de 2023, o País tinha 2,241 milhões de pessoas em situação de desemprego de mais longo prazo, ou seja, em busca de um trabalho há pelo menos dois anos. Se considerados todos os que procuram emprego há pelo menos um ano, esse contingente em situação de desemprego de longa duração sobe a 3,220 milhões. Apesar do contingente ainda elevado, o total de pessoas que tentavam uma oportunidade de trabalho há dois anos ou mais encolheu 35,3% em relação ao primeiro trimestre de 2022.
Outras 979 mil pessoas buscavam emprego há pelo menos um ano, porém menos de dois anos, 36,7% menos indivíduos nessa situação ante o primeiro trimestre de 2022. No primeiro trimestre de 2023, 4,242 milhões de brasileiros procuravam trabalho há mais de um mês, mas menos de um ano, 13,1% menos desempregados nessa situação do que no mesmo período do ano anterior, e 1,970 milhão tentavam uma vaga há menos de um mês, 4,4% menos indivíduos nessa categoria de desemprego do que no primeiro trimestre de 2022. Apesar da recuperação no emprego, o Brasil ainda tem milhões de inativos a mais do que no pré-pandemia. O fenômeno de aumento da inatividade é generalizado, afetando todas as faixas etárias. A proporção de pessoas em idade de trabalhar (com 14 anos ou mais) que efetivamente participa do mercado de trabalho encerrou o primeiro trimestre de 2023 em patamar inferior ao registrado no primeiro trimestre de 2019 em todos os grupos etários.
Na população como um todo, a taxa de participação foi de 61,6% no primeiro trimestre de 2023, ante 63,4% no primeiro trimestre de 2019. Essa distância está maior entre os mais jovens: no grupo de 14 a 17 anos, a taxa de participação foi de 17,2% no primeiro trimestre de 2023, ante 20,0% no primeiro trimestre de 2019; e no grupo de 18 a 24 anos, o resultado agora é de 68,3%, ante 69,8% em 2019. No entanto, a inatividade maior na faixa etária intermediária é a que mais impacta a taxa de participação global, considerando o peso que esses grupos têm no mercado de trabalho: entre as pessoas de 25 a 39 anos, a taxa de participação foi de 81,3% no primeiro trimestre de 2023, ainda abaixo dos 82,5% registrados no primeiro trimestre de 2019; e no grupo de 40 a 59 anos, a taxa foi de 73,2% agora, ante 73,9% no pré-pandemia. Entre os idosos, com 60 anos ou mais, a taxa de participação ficou em 23,2% no primeiro trimestre de 2023, ainda aquém dos 23,8% registrados no primeiro trimestre de 2019.
Os mais jovens estão preferindo se qualificar mais antes de ingressar no mercado de trabalho, o que pode ser uma boa notícia. Os jovens preferem ficar mais se qualificando do que pressionar o mercado de trabalho. A grande maioria das Unidades da Federação ainda não recuperou a taxa de participação do pré-pandemia. Em São Paulo, a taxa de participação foi de 66,6% no primeiro trimestre de 2023, 2,3% abaixo dos 68,9% registrados no primeiro trimestre de 2019. No Rio de Janeiro, a taxa agora foi de 60,2%, 2,4% abaixo dos 62,6% registrados no pré-pandemia, e, em Minas Gerais, a taxa é de 63,8% agora, 1,3% aquém dos 65,1% do pré-Covid. No primeiro trimestre de 2023, as maiores distâncias na taxa de participação em relação ao primeiro trimestre de 2019 foram registradas no Acre (-7,6%), Rondônia (-7,5%), Ceará (-5,6%), Espírito Santo (-5,0%) e Roraima (-4,7%). As únicas Unidades da Federação com taxas de participação maior agora do que no pré-pandemia foram Alagoas (+4,7%), Tocantins (+3,0%), Distrito Federal (+2,1%), Maranhão (+1,1%), Pará (+0,3%) e Rio Grande do Sul (+0,2%).
O mercado de trabalho teve um movimento sazonal de alta na desocupação e de eliminação de vagas temporárias em várias Unidades da Federação, na passagem do quarto trimestre de 2022 para o primeiro trimestre de 2023. Na passagem do quarto trimestre de 2022 para o primeiro trimestre de 2023, houve alta na taxa de desocupação em 23 Unidades da Federação. Porém, o resultado foi considerado estatisticamente significativo em apenas 16 delas, enquanto nas outras 7 a variação ficou dentro da margem de erro da pesquisa. Em Sergipe, o resultado ficou estável em 11,9%. As quedas (embora não significativas estatisticamente) ocorreram no Acre, de 10,0% para 9,8%; no Amapá, de 13,3% para 12,2%; e no Espírito Santo, de 7,2% para 7,0%. A maioria teve aumento da desocupação. E em algumas UFs, além do aumento da desocupação, teve aumento das dispensas. Foi uma combinação desses dois fatores sazonais. Esse componente sazonal foi acompanhado por várias UFs e grandes regiões como um todo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.