10/Mai/2023
Após a forte alta da véspera, o dólar fechou em baixa ante o Real nesta terça-feira (09/05), na contramão do exterior, com exportadores aproveitando as cotações elevadas para internalizar recursos no País e investidores ajustando posições no mercado futuro da moeda norte-americana. O dólar fechou a R$ 4,98, com queda de 0,55%, novamente abaixo dos R$ 5,00. O movimento, no entanto, esteve longe de compensar a elevação de 1,44% da véspera. Na segunda-feira (08/05), investidores reagiram negativamente ao anúncio de que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, será indicado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central.
A leitura foi de que Galípolo, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elevaria a pressão para que o Banco Central reduza a taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano. Nesta terça-feira (09/05), Galípolo defendeu o corte de juros, mas ponderou que esta é uma vontade de "todo mundo". Ele afirmou ter convicção de que toda a diretoria do Banco Central não tem nenhum tipo de satisfação, nem profissional nem pessoal, de ter um juro mais alto. As declarações, no entanto, não afetaram o mercado de câmbio. No início da sessão, o dólar chegou a dar continuidade ao movimento de alta e atingiu a cotação máxima de R$ 5,03 (+0,46%), às 9h55.
Mas, a moeda norte-americana foi perdendo força gradativamente, até se firmar no território negativo no início da tarde. A queda foi gerada pelo fluxo positivo de moeda, com exportadores aproveitando as cotações mais elevadas, acima dos R$ 5,00, para internalizar recursos. No mercado futuro, alguns investidores aproveitaram para ajustar posições, após o forte avanço da véspera. O mercado futuro de dólar é o mais líquido no Brasil e, no limite, é o que conduz as cotações da divisa no mercado à vista. Além destes fatores, a Western Asset afirmou que a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou a leitura de que a taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano, não será cortada no curto prazo.
O Real tem força para apreciar em relação ao dólar, com uma balança comercial muito forte, somado a um diferencial de juros muito elevado. E os riscos externos também estão em queda. Na mínima da sessão, às 13h17, o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,97 (-0,83%). Depois, a divisa se acomodou em patamar mais alto. No exterior, o dólar mantinha ganhos ante boa parte das demais divisas de países exportadores de commodities, com investidores receosos quanto às negociações para ampliação do teto da dívida dos Estados Unidos. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,19%, a 101,630. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.