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20/Abr/2023

Credicitrus prevê expansão da carteira de crédito

Maior cooperativa de crédito do Brasil, a Credicitrus prevê um avanço de até 25% na carteira de crédito este ano. O resultado é menor do que o obtido em 2022, o que é atribuído às taxas de juros elevadas, que vêm inibindo a contratação de empréstimos de longo prazo e levando produtores a fazer ao menos parte dos investimentos necessários com recursos próprios. Tanto a captação quanto a carteira de crédito devem crescer em torno de 20%, o crédito pode crescer até 25%, porque os produtores estão antecipando mais as compras de insumos, inclusive para a próxima safra, aproveitando que os preços caíram. Mas, o produtor está usando mais as reservas próprias para fazer compras, investir, e aí toma menos crédito. Não é esperado que a procura por financiamento para investimentos cresça. Faltam recursos do BNDES. O investimento está ocorrendo, mas com recurso próprio do produtor ou fontes um pouco mais caras, cobrindo 50% do valor. A Credicitrus, que faz parte do sistema Sicoob de cooperativismo de crédito, fechou 2022 com uma carteira de R$ 5,2 bilhões, 38,25% maior do que em 2021; no quadriênio 2019-2022, o avanço foi de 69,05%.

O crescimento é atribuído, em boa medida, à elevação das taxas de juros de juros durante o ano passado, que levou produtores, primeiramente, a buscar os recursos com taxas controladas e, depois, o dinheiro oriundo da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), com taxas mais altas, mas ainda inferiores às de outras fontes do mercado. A LCA aparece como taxa de 14%, 15%, 16% ao ano; se vai para o recurso livre, pula para 20% ou 22%. Tem também a questão do limite de crédito a ser tomado por CPF, de R$ 3 milhões. O produtor tomou primeiro o recurso vindo do DIR, e aí, quando precisou de mais, o mais barato na sequência era o dinheiro da LCA. Da carteira da Credicitrus, aproximadamente metade, ou cerca de R$ 2,6 bilhões, se destinou a produtores e empresas do setor. Entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões, quase 80% do total, foram emprestados para aquisição de insumos para a safra, sendo que 70% deste recurso foi concedido com taxas de juros controladas, ligadas a linhas de crédito do Plano Safra.

Uma parte pequena dos recursos emprestados pela Credicitrus a produtores rurais no ano passado, ao redor de R$ 700 milhões, veio de depósitos interbancários (DIR), recursos que deveriam ter sido obrigatoriamente aplicados em crédito rural por outros bancos que, sem condições para implementar essa operação, repassam o dinheiro para a cooperativa de crédito. O dinheiro da DIR geralmente é liberado primeiro, porque o produtor busca o crédito rural (com taxa controlada), dentro do limite por CPF, e depois complementa com dinheiro da LCA. As LCAs são a maior fonte de crédito da Credicitrus e proveram no ano passado ao redor de R$ 2 bilhões para o setor. As instituições financeiras que oferecem o título a investidores têm obrigação legal de aplicar, no mínimo, 45% do dinheiro captado em crédito rural. O interesse de investidores é atribuído pelo papel não só à remuneração oferecida, como também ao fato de a agência de classificação de risco Fitch Ratings ter elevado o rating nacional de longo prazo da cooperativa de crédito de “AA” para "AA (bra)", o mais alto do cooperativismo brasileiro.

Alguns aplicadores de mercado, para colocar dinheiro em determinados volumes ou até pequenos, exigem determinado rating da Fitch ou algum outro para aplicar ou não mais dinheiro. A Credicitrus teve uma evolução na carteira a partir do momento em que recebeu o AA, foi possível acessar novos investidores, que trouxeram recursos para a Credicitrus. Do lado da captação de recursos (depósitos à vista, a prazo e aplicações em LCA e Letras de Crédito Imobiliário), que no ano passado aumentou 27,86% e chegou a R$ 7,5 bilhões, espera-se para 2023 um incremento menor, da ordem de 20%, porque os mesmos cooperados que tomam crédito junto à Credicitrus também investem nestes papéis e, justamente eles, estão tendo de desembolsar mais recursos para manter sua atividade. A Selic hoje é positiva para investimentos, o juro líquido é de 7% (descontada a inflação), o que atrai tanto o investidor interno quanto o externo. Mas, o mercado está exigindo mais gasto, porque sobem os custos de produção, não tem oferta de recurso para investimento do BNDES, então o produtor retira da aplicação e devolve para o seu negócio. No quadriênio 2019-2022, a captação avançou 103,84%.

A Credicitrus registrou avanço expressivo também nas sobras distribuídas a cooperados, indicador semelhante aos lucros registrados por empresas. Em 2022, foram R$ 477 milhões, 65,55% acima do valor registrado em 2021. A cooperativa de crédito também contabilizou o valor recorde de R$ 11,44 bilhões em ativos, uma expansão de 29,66% em relação a 2021 e de 92,86% no quadriênio 2019-2022. O patrimônio líquido superou R$ 2,2 bilhões, aumento de 16,77% ante o ano anterior e de 39,13% no quadriênio 2019-2022. O resultado social econômico da Credicitrus chegou a R$ 1,2 bilhão em 2022. O indicador expressa as economias em juros e tarifas que o associado faz em suas movimentações, em comparação ao que desembolsaria efetuando as mesmas operações no sistema financeiro tradicional. A esse valor também são adicionadas as sobras do exercício, distribuídas aos associados na proporção de seu relacionamento com a cooperativa. A Credicitrus completará 40 anos em setembro e tem previstas diversas ações comemorativas ao longo do ano. Atualmente, possui mais de 165 mil cooperados e filiais em 100 municípios de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A carteira de crédito da Credicitrus cresceu 10,46% desde o fim de 2022, quando somava R$ 5,202 bilhões, e já alcança R$ 5,746 bilhões. Há expectativa de a carteira aumentar até 25% em 2023. Cerca de metade dos recursos são destinados ao financiamento do agronegócio. A captação de recursos da cooperativa de crédito no primeiro trimestre também avançou, 7,14%, saindo de R$ 7,562 bilhões em dezembro para R$ 8,102 bilhões agora. A Credicitrus informou que os ativos totais no primeiro trimestre de 2023 chegam a R$ 12,137 bilhões, avanço de 6,35% ante o fim do ano, e o patrimônio líquido soma R$ 2,372 bilhões, aumento de 4,52% ante o contabilizado no fim do ano passado. As sobras no primeiro trimestre atingiram R$ 111,8 milhões, 8,05% acima do registrado em igual período do ano passado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.