ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

04/Abr/2023

Brasil deveria diversificar suas fontes energéticas

Há dois séculos os combustíveis fósseis são o sangue negro que corre nas veias da indústria, impulsionando uma revolução social e tecnológica sem precedentes. Mas, é consenso que o dióxido de carbono aquece o planeta, degrada a natureza e ameaça, a longo prazo, a prosperidade humana. O dilema é que, se são letais para o futuro, os combustíveis fósseis ainda são vitais para o presente. As distorções de um mau equacionamento desse dilema têm impactos. Para a indústria dos fósseis, no caso do Brasil, particularmente a do petróleo, é evidente que mais dos mesmos negócios de sempre é, a longo prazo, uma rota suicida. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda por petróleo começará a declinar até 2030. Estratégias caras e com retorno a longo prazo, como as que o governo vem sinalizando ao interromper a venda de refinarias e investir em novas ou explorar bacias distantes e incertas, exigem prudência. A União Europeia (UE) acaba de anunciar o fim da produção de carros a gasolina e diesel até 2035. É um sinal de que a janela está fechando e é preciso atentar às portas que estão abrindo.

Os ambientalistas, por sua vez, costumam resumir o desafio energético à eliminação dos fósseis. Mas, mesmo no cenário de “carbono zero”, a AIE estima que em 2050 a demanda mundial de petróleo ainda será de 20 milhões de barris por dia. E hoje os royalties são fonte crucial de recursos para o Brasil enfrentar desafios como a pobreza. Se é óbvio que uma transição energética sustentável não pode ser entendida como ampliação das fontes fósseis, tampouco pode ser sua pura redução. Em certa medida ela é ambas: ampliação a curto prazo e redução a longo prazo. A ampliação de hoje viabilizará investimentos nas tecnologias que garantirão a redução amanhã. A chave do problema é a diversificação das fontes energéticas. Mas, nesse quesito, seja o Estado brasileiro, seja sua petrolífera, estão defasados. O País tem imensas vantagens comparativas. Sua matriz energética já é uma das mais limpas do mundo e está longe das pressões ambientais que países desenvolvidos enfrentam.

Mas, antes de aproveitar esse bônus para galvanizar a diversificação, o Brasil o tem usado para justificar uma certa acomodação. O setor de petróleo e gás continua a gozar de vultosos subsídios para, supostamente, estimular o desenvolvimento social no curto prazo. Mas, além de beneficiarem mais as indústrias do que famílias pobres, que seriam mais bem servidas com esses recursos por transferências de renda ou serviços públicos, os subsídios desencorajam a eficiência e a diversificação energética. Consequentemente, ainda que o Plano Estratégico da Petrobras fale com entusiasmo da expansão rumo aos renováveis, na prática a estratégia da empresa para o futuro continua aferrada aos fósseis. No ano passado, por exemplo, ela teve lucro recorde, o que é excelente. Mas, cerca de 80% dos investimentos seguem canalizados para a exploração de petróleo e gás. Seus principais investimentos em descarbonização continuam a ser em tecnologias para reduzir emissões das fontes fósseis.

A ironia é que multinacionais movidas exclusivamente pelo lucro têm investido muito mais em energia limpa do que a Petrobras, que, tendo como maior acionista a União, deveria combinar o lucro com interesses nacionais. O foco excessivo e imediatista no petróleo não é bom para o meio ambiente e, a longo prazo, não é bom para a empresa e nem para o Brasil. Táticas baseadas no petróleo ainda fazem sentido no curto prazo. Mas, essa fonte de energia está com os dias contados. Alicerçar nela a estratégia de desenvolvimento sustentável nacional é como confiar na luz de estrelas mortas. O astro mais próximo, maior, mais quente e mais luminoso das energias renováveis já despontou no horizonte. O Brasil e sua principal empresa de energia têm todas as condições naturais e técnicas de aproveitar a aurora dessa nova fonte de luz e força para traçar uma rota vantajosa para a sociedade e o meio ambiente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.