21/Mar/2023
A quebra de dois bancos, o Silicon Valley Bank (SVB) e o Signature Bank, nos Estados Unidos deve conter a próxima decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), nesta semana. Diante do temor global desencadeado, com um sentimento de ‘déjà vu’ quanto à crise de 2008 e que sucumbiu o Lehman Brothers, é ainda o primeiro sinal contundente de que os Estados Unidos devem fazer um pouso forçado à frente como efeito do veloz aperto monetário para controlar a disparada da inflação no país. As falências bancárias desafiaram ainda mais as contas de Wall Street quanto aos rumos da economia e dos juros nos Estados Unidos à vésperas da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de fevereiro. Diante da expectativa de que a quebradeira não pare por aí, bancos e consultorias passaram a prever um Fed menos agressivo no aperto monetário, ainda que pese um mercado de trabalho aquecido e uma inflação distante da meta de 2% ao ano.
O aumento de juros de 50 pontos-base saiu de cena e deu lugar à possibilidade de manutenção das taxas em sua próxima reunião, que acontece entre os dias 21 e 22 de março. Segundo o Goldman Sachs, à luz do estresse no sistema bancário, não se espera que o FOMC (Comitê Federal do Mercado Aberto) apresente um aumento de juros em sua próxima reunião em 22 de março (contra nossa expectativa anterior de um aumento de 25 pontos-base). Levantamento da plataforma do CME Group mostra que a probabilidade da manutenção dos juros era de 37,3%. A expectativa de um aumento de 25 pontos-base segue majoritária, com chances de 62,7% contra 59,8% na semana anterior. Por sua vez, a expectativa de uma alta de 50 pontos-base saiu do cenário base de Wall Street. Atualmente, os juros estão entre 4,50% e 4,75% ao ano. Para o Santander, as medidas tomadas pelo Fed, Tesouro e o Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), uma espécie de FGC dos Estados Unidos, devem ser suficientes para limitar os danos, mas claramente a situação é bastante fluida.
Sob o temor de que a crise bancária se alastrasse, os órgãos norte-americanos decidiram cobrir todos os depósitos de clientes do SVB e do Signature e não apenas o limite de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão) por depositante. Além disso, o Fed também lançou mão de um programa de emergência para suportar o sistema, com olhos voltados, principalmente, aos bancos de menor porte nos Estados Unidos. Se o sistema bancário ainda estiver em crise nesta semana, obviamente o FOMC não aumentará as taxas. Se a situação estiver mais controlada, um aumento de 25 pontos-base é o resultado mais provável. O Citigroup, mais cético como de costume, vê os mercados subestimando a ação do Fed para estancar a inflação no país. Um aumento da taxa básica de juros permanece muito provável. Um aumento de 25 pontos-base agora pode ser o ritmo mais provável na reunião de março do que de 50 pontos-base. Para a Capital Economics, a crise bancária mudou o cenário para as taxas de juros, adicionando riscos de aumentos mais contidos, mas o CPI de fevereiro continua sendo importante nesta conta.
O indicador deve apontar alta de 0,4% em fevereiro na comparação com janeiro, quando subiu 0,5%. Embora a resposta inicial do mercado tenha sido positiva às ações dos órgãos reguladores, há sinais de que a crise de confiança está se espalhando para outros bancos regionais dos Estados Unidos. Para o Oxford Economics, os elevados riscos de estabilidade financeira nos Estados Unidos reforçam o presságio de uma recessão à vista na maior economia do mundo. O colapso do SVB e a apreensão do Signature Bank são sinais de que isso está começando a acontecer, exacerbados pelas falhas específicas de gerenciamento de risco do SVB e sua dependência excessiva de um setor da economia para uma base de depositantes. Os Estados Unidos devem enfrentar uma leve recessão no segundo semestre como reflexo do ritmo agressivo de aumento das taxas no país.
À medida que a maior economia do mundo enfraquece, cresce o risco de mais quebras à frente. O cenário traçado é uma reviravolta na fotografia exibida no início deste ano. Beneficiada por um inverno ameno e atípico, a maior economia do mundo tem apresentado desempenho melhor do que o esperado, escapando de uma recessão no primeiro trimestre. Para a segunda metade do ano, porém, esse já não era o cenário mais provável, na visão de economistas. Com a quebra de dois bancos nos Estados Unidos, que juntos somam mais de US$ 330 bilhões em ativos, o temor de recessão ganha coro. Para o suíço UBS, as ações dos órgãos norte-americanos resolvem o problema de contágio nos Estados Unidos, mas não o de um pouso forçado à frente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.