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20/Mar/2023

Taxa de desemprego tem primeira alta em um ano

De acordo com os dados mensais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na sexta-feira (17/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou em 8,4% no trimestre encerrado em janeiro. Em igual período de 2022, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 11,3%. No trimestre móvel até dezembro, a taxa de desocupação estava em 7,9%. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.835,00 no trimestre encerrado em janeiro. O resultado representa alta de 7,7% em relação ao mesmo trimestre de 2022. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 275,134 bilhões no trimestre encerrado em janeiro, alta de 11,9% ante igual período do ano passado. O País registrou um fechamento de 1,025 milhão de vagas no mercado de trabalho em apenas um trimestre. A população ocupada ficou em 98,636 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro. Em um ano, esse contingente aumentou em 3,208 milhões de pessoas.

A população desocupada diminuiu em 27 mil pessoas em um trimestre, totalizando 8,995 milhões de desempregados no trimestre até janeiro. Em um ano, 3,053 milhões de pessoas deixaram o desemprego. A população inativa somou 66,341 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, 1,438 milhão de inativos a mais que no trimestre anterior. Em um ano, houve aumento de 1,403 milhão de pessoas. A taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas ficou em 5,3% no trimestre até janeiro, ante 6,0% no trimestre até outubro. Em todo o Brasil, há 5,235 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas. O indicador inclui as pessoas ocupadas com uma jornada inferior a 40 horas semanais que gostariam de trabalhar por um período maior. Na passagem do trimestre até outubro para o trimestre até janeiro, houve um recuo de 754 mil pessoas na população nessa condição. O País tem 1,693 milhão de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas a menos em um ano. No trimestre terminado em janeiro, faltou trabalho para 21,505 milhões de pessoas no País.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho desceu de 19,5% no trimestre até outubro para 18,7% no trimestre até janeiro. O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar. No trimestre até janeiro de 2022, a taxa de subutilização da força de trabalho estava em 23,9%. A população subutilizada caiu 12,6% ante o trimestre até outubro, 754 mil pessoas a menos. Em relação ao trimestre até janeiro de 2022, houve um recuo de 24,4%, menos 1,693 milhão de pessoas. O Brasil registrou 3,961 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em janeiro. O resultado significa 220 mil desalentados a menos em relação ao trimestre encerrado em outubro, um recuo de 5,3%. Em um ano, 793 mil pessoas deixaram a situação de desalento, baixa de 16,7%.

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial. O trimestre encerrado em janeiro de 2023 mostrou uma abertura de 190 mil vagas com carteira assinada no setor privado em relação ao trimestre encerrado em outubro de 2022. Na comparação com o mesmo trimestre de 2022, 2,257 milhões de vagas com carteira assinada foram criadas no setor privado. O total de pessoas trabalhando com carteira assinada no setor privado foi de 36,813 milhões no trimestre até janeiro, enquanto as que atuavam sem carteira assinada alcançaram 13,108 milhões, 264 mil a menos que no trimestre anterior. Em relação ao trimestre até janeiro de 2022, foram criadas 725 mil vagas sem carteira no setor privado. O trabalho por conta própria perdeu 111 mil pessoas em um trimestre, para um total de 25,299 milhões. O resultado significa 277 mil pessoas a menos atuando nessa condição em relação a um ano antes.

O número de empregadores encolheu em 179 mil em um trimestre. Em relação a janeiro de 2022, o total de empregadores cresceu 186 mil. O País teve um aumento de mil pessoas no trabalho doméstico em um trimestre, para um total de 5,883 milhões de pessoas. Esse contingente é 262 mil pessoas maior que no ano anterior. O setor público teve 497 mil ocupados a menos no trimestre terminado em janeiro ante o trimestre encerrado em outubro. Na comparação com o trimestre até janeiro de 2022, foram abertas 447 mil vagas. O País registrou taxa de informalidade de 39,0% no mercado de trabalho no trimestre encerrado em janeiro de 2023. Havia 38,964 milhões de trabalhadores atuando na informalidade no período. Essa queda na ocupação não foi enviesada. A queda na ocupação atingiu tanto o trabalhador formal quanto o informal. Em um trimestre, 511 mil pessoas deixaram de atuar como trabalhadores informais. A extinção de vagas no período totalizou 1,025 milhão. Em um trimestre, houve redução de 264 mil empregos sem carteira assinada no setor privado, de 37 mil empregadores sem CNPJ, redução de 44 mil pessoas no trabalho por conta própria sem CNPJ e de 165 mil de pessoas no trabalho familiar auxiliar.

O número de trabalhadores domésticos sem carteira assinada ficou estável. A queda na população ocupada atuando na informalidade em um trimestre foi de 1,3%. Em relação a um ano antes, o contingente de trabalhadores informais recuou em 70 mil pessoas, queda de 0,2%. Sete das dez atividades econômicas registraram demissões no trimestre encerrado em janeiro. Na passagem do trimestre terminado em outubro de 2022 para o trimestre encerrado em janeiro de 2023, houve geração de vagas apenas em transporte e armazenagem (126 mil), alojamento e alimentação (156 mil) e serviços domésticos (9 mil). As demissões ocorreram na indústria (-220 mil), informação, comunicação e atividades financeiras, profissionais e administrativas (-38 mil), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-342 mil), construção (-134 mil), outros serviços (-102 mil), comércio (-201 mil) e agricultura (-272 mil). Em relação ao patamar de um ano antes, as únicas atividades com perdas foram a agricultura, que demitiu 398 mil trabalhadores, e a construção, que dispensou 13 mil pessoas.

Os demais setores contrataram: administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (876 mil trabalhadores a mais), comércio (637 mil), alojamento e alimentação (143 mil), serviços domésticos (249 mil), indústria (278 mil), informação, comunicação e atividades financeiras (544 mil), transporte (481 mil) e outros serviços (430 mil). A massa de salários em circulação na economia aumentou em R$ 29,156 bilhões no período de um ano, para R$ 275,134 bilhões, uma alta de 11,9% no trimestre encerrado em janeiro de 2023 ante o trimestre terminado em janeiro de 2022. Na comparação com o trimestre terminado em outubro de 2022, a massa de renda real subiu 0,8% no trimestre terminado em janeiro, com R$ 2,156 bilhões a mais. A massa de renda em circulação na economia foi a maior da série histórica comparável. Considerando todos os trimestres móveis da série iniciada em 2012, a massa foi a terceira maior. Por mais que se tenha perdido um pouco da população ocupada, as pessoas que permaneceram na ocupação estão ganhando mais, acima do que ocorria no trimestre anterior.

Então, mesmo diante de uma perda de contingente no trimestre, o que se ganhou em termos de rendimento foi suficiente para se chegara esse valor. Embora a expansão na massa de renda em um trimestre não tenha sido estatisticamente significativa, por ter ficado dentro da margem de erro da pesquisa. Na comparação anual, a massa cresce sucessivamente, seja por conta da expansão da ocupação como dos rendimentos. O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve uma elevação real de 1,6% na comparação com o trimestre até outubro de 2022, R$ 46,00 a mais, para R$ 2.835,00. Em relação ao trimestre encerrado em janeiro de 2022, a renda média real de todos os trabalhadores ocupados subiu 7,7%, R$ 202,00 a mais. O crescimento do rendimento médio real está relacionado à trégua da inflação registrada nos últimos meses, que proporciona ganhos reais, mas também à melhora na composição da ocupação, com manutenção de vagas carteira assinada no setor privado e uma dispensa de trabalhadores temporários com menores remunerações no setor público, o que tende a elevar o rendimento médio. Além da questão da inflação, tem a manutenção de carteira de trabalho, pois são trabalhadores com melhor remuneração.

A própria queda na ocupação dentro da administração pública, seguridade, educação e saúde é uma perda mais daqueles trabalhadores temporários, que são os rendimentos menores. A renda nominal, ou seja, antes que seja descontada a inflação no período, cresceu 2,9% no trimestre terminado em janeiro ante o trimestre encerrado em outubro. Já na comparação com o trimestre terminado em janeiro de 2022, houve elevação de 13,9% na renda média nominal. A taxa de desocupação no País subiu de 7,9% no trimestre terminado em dezembro de 2022 para 8,4% no trimestre até janeiro de 2023, o primeiro avanço em um ano. A última vez que a taxa de desocupação tinha crescido foi na passagem de dezembro de 2021 (11,1%) para janeiro de 2022 (11,2%). Apesar da elevação, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2023 foi a mais baixa para esse período desde 2015, quando estava em 6,9%. O nível da ocupação, percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, saiu de em 57,4% no trimestre até outubro de 2022 para 56,7% no trimestre até janeiro de 2023. No trimestre terminado em janeiro de 2022, o nível da ocupação era de 55,3%.

O Brasil tinha 63,739 milhões de ocupados contribuindo para a Previdência Social, terceiro maior contingente da série histórica. O ápice foi verificado no trimestre até dezembro de 2022, com 64,274 milhões de trabalhadores contribuintes. O segundo melhor resultado foi no trimestre até novembro de 2022, com 64,172 milhões de contribuintes. No entanto, a proporção de ocupados que contribuem para a Previdência foi de apenas 64,6% no trimestre até janeiro de 2023, montante que já ultrapassou os 66% em anos anteriores. Segundo a Terra Investimentos, os dados da Pnad Contínua mensal de janeiro confirmam a tendência de esfriamento do mercado de trabalho no Brasil. A taxa de desemprego com ajuste sazonal subiu de 8,4% no 4º trimestre de 2022 para 8,5% no trimestre móvel encerrado em janeiro. Esse avanço se deu mesmo com uma queda de 0,1% da taxa de participação, a 62%. A população ocupada recuou 0,1% na margem, enquanto a população desocupada cresceu 1,5%. Em janeiro, a queda da taxa de participação não foi suficiente para compensar o impacto da redução da população ocupada sobre a taxa de desemprego. Na série sem ajuste, o desemprego subiu de 7,9% no trimestre até dezembro para 8,4% no trimestre até janeiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.