15/Mar/2023
Marcada para a última semana deste mês, a viagem do presidente Lula à China representa um marco da reaproximação dos países após os momentos de atritos diplomáticos do governo Bolsonaro. Para Fundação Getúlio Vargas (FGV), mais do que aprofundar o enorme intercâmbio comercial, a missão pode ajudar a inserir o Brasil em uma série de investimentos que estão sendo feitos pelos chineses no mundo. O Brasil está em condição de retomar a posição de parceiro privilegiado da China no continente. O Brasil é o líder da América do Sul, sempre teve tudo para ser o grande parceiro da China no continente, mas o governo anterior não gostava da China. Inclusive, a Argentina acabou ocupando esse espaço. Mas, o Brasil tem tudo para ser esse parceiro e atrair investimentos de infraestrutura. A missão de Lula “tem tudo” para colocar o Brasil na nova rota da seda, como é conhecido o programa de investimentos transnacionais da China com foco em infraestrutura.
Há uma grande quantidade de investimentos chineses que estão sendo feitos ao redor do planeta e que poderiam estar sendo feitos no Brasil também. Segundo o Bank of China Brazil, a promessa do governo Lula de reindustrialização do Brasil está alinhada ao plano da China de se tornar uma potência tecnológica. Nesse sentido, grandes montadoras chinesas estão investindo para produzir carros com motorização elétrica no Brasil. O objetivo não é só trazer o carro, mas sim ter produção local. O exemplo demonstra que a relação entre os países evoluiu do comércio para os investimentos. O atual programa de prosperidade comum do governo chinês, com migração em massa de chineses para a classe média, favorece as exportações brasileiras de alimentos.
Citando as metas chinesas de redução de emissões nas próximas décadas, o Lide China considera que o Brasil, além de alimentos, oferece segurança estratégica em energia para a China. A ida de Lula ao país traz a possibilidade de os países enriquecerem a qualidade das trocas comerciais. A sustentabilidade, junto com inclusão e inovação, é um dos pilares do plano de metas da China, abrindo oportunidades de aprofundamento nas relações bilaterais. Como exemplo pode-se citar a aplicação da tecnologia 5G da Huawei no rastreamento da produção agrícola. O que a China procura como futuro certamente será foco do intercâmbio com o Brasil. o País tem um gigantesco potencial de sinergia, mas para isso é preciso fazer a “lição de casa”, uma referência à necessidade de interlocução entre governos, somada a iniciativas das empresas para entrar no gigante asiático. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.