14/Mar/2023
Em um País com 8,6 milhões de desempregados, um contingente equivalente a toda a população da Suíça, quatro Estados vivem uma realidade diferente, com uma disputa intensa por mão de obra. Em 2022, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Santa Catarina encerraram o ano com uma taxa de desocupação abaixo de 4%, enquanto a média do País ficou em 7,9%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já Bahia, Pernambuco, Sergipe e Amapá continuam com taxas acima de 10%. Os números positivos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia podem ser explicados pelo bom desempenho do agronegócio nos últimos anos, o que ajudou a estimular toda a economia local. De um modo geral, segundo a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), são Estados com um conjunto de atividades relacionadas ao agronegócio.
A força do agronegócio não beneficiou apenas o setor nesses Estados, mas também toda a cadeia ligada a ele, como produção de máquinas. Em 2023, por exemplo, a expectativa é a de que o País colha uma safra recorde de grãos, alcançando 298 milhões de toneladas, um crescimento de 13,3% em relação a 2022 (34,9 milhões de toneladas a mais). Em Rondônia, porém, apesar de o agro movimentar o mercado de trabalho, a baixa taxa de desemprego também está associada à reduzida participação da força de trabalho. Enquanto no Brasil, no ano passado, 62,4% da população em idade de trabalhar estava empregada ou buscava emprego, em Rondônia, esse número era de 60,5%. Essa diferença sugere que, no Estado, há uma busca menor por ocupação. Em Santa Catarina, a explicação para o baixo desemprego vai além do campo.
Com agronegócios e indústria alimentícia no oeste, indústria metalomecânica e têxtil no norte, turismo e tecnologia no litoral e indústrias cerâmica e de móveis no sul, a diversificação da economia torna improvável uma explosão no desemprego mesmo quando o País enfrenta crises severas. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), essa diversificação produtiva permite ao Estado não ser abatido de maneira tão forte por crises setoriais. Em Santa Catarina, a retomada do turismo de verão evidenciou a falta de mão de obra qualificada. Em Mato Grosso, produtores sentem uma pressão por alta de salários superior à do restante do País. Em Mato Grosso do Sul, a abertura de fábrica exigiu trazer trabalhadores de fora do Estado. Em Rondônia, a taxa de desemprego caiu para 3,1%, o que indica o desafio para os empregadores.
Essas situações exemplificam os gargalos para a economia nos quatro Estados que estão mais perto do pleno emprego. Em Santa Catarina, onde a taxa de desemprego ficou em 3,2% em 2022, estudo da unidade local da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostrou que quase 64% dos estabelecimentos tiveram dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados para o verão. Há vagas de trabalho em vários setores, o que acaba diminuindo a oferta de mão de obra. Se, por um lado, os empresários sofrem para encontrar candidatos, do outro, há profissionais que escolhem onde trabalhar. Em Mato Grosso, na região de Sinop, alguns produtores contratam temporários do Paraná, de Rondônia e de Goiás. Segundo a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), a agroindústria é o que vem aquecendo o mercado de trabalho local, que registrou desocupação de 3,5% em 2022.
Com a falta de pessoal, os salários estão sob pressão. Em 2022, a massa salarial em Mato Grosso cresceu 16,1%; e a média no Brasil, 6,9%. Em Mato Grosso Do Sul, na região de Ribas do Rio Pardo, a Suzano tem de recorrer a mão de obra de fora da região para garantir a operação da futura planta, prevista para começar no segundo semestre de 2024. A demanda se dá em diversas fases. No pico, 10 mil empregos diretos devem ser criados. Num Estado em que a taxa de desocupação em 2022 foi de apenas 3,3%, a Suzano começou a treinar profissionais locais para trabalhar na nova planta. Já foram capacitadas 198 pessoas e, desse contingente, 133 estão praticando na unidade de Três Lagoas. Rondônia também tem se beneficiado do agronegócio, ajudado pelo uso intensivo de tecnologia. A taxa de desocupação no Estado recuou de 3,9% para 3,1% entre 2021 e 2022. O entorno de Porto Velho, que, anos atrás, tinha terras subprecificadas, hoje está em franca expansão com a produção de grãos. E não é só a soja, mas também arroz e milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.