05/Dez/2022
Depois de crescer por cinco trimestres consecutivos, a economia brasileira dá sinais de se acomodar, prenunciando menor dinamismo no início do novo governo. A perda de ritmo foi contínua ao longo deste ano, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo a taxas trimestrais de 1,3%, 1% e 0,4%. A expansão acumulada em um ano, até setembro, chegou a 3%. Esse retrospecto parece indicar, no balanço final de 2022, um crescimento próximo de 3%, muito parecido com as projeções correntes no mercado. Para 2023, economistas do setor privado continuam prevendo para o PIB um aumento inferior a 1%, num cenário complicado por dificuldades fiscais, inflação superior a 5% e juros básicos de 11,5%. O avanço econômico foi liderado no terceiro trimestre pelo setor de serviços, com expansão de 1,1%.
A produção geral da indústria aumentou 0,8% e a da agropecuária encolheu 0,9%, prejudicada principalmente por más condições do tempo. Afetado severamente pela Covid-19, principalmente no caso das atividades presenciais, o conjunto dos serviços tem-se recuperado com vigor e acumulou em um ano expansão de 4,4%. Nesse período, a produção rural foi 1,3% menor que a dos 12 meses imediatamente anteriores. A produção industrial aumentou apenas 0,8%, com desempenho especialmente ruim do ramo da transformação (-2,1%). O fraco desempenho da indústria de transformação, onde se incluem os segmentos automobilístico, mecânico, eletroeletrônico, têxtil, aeronáutico e de calçados, entre muitos outros, é especialmente preocupante.
Esse conjunto de atividades vem apresentando resultados insuficientes há pelo menos dez anos. São sinais de uma reversão histórica. Depois de avançar durante décadas na formação de um setor industrial vigoroso e diversificado, o Brasil vem-se desindustrializando, como se houvesse entrado num processo de subdesenvolvimento. Nada se fez para interromper essa degradação, nos quatro anos de mandato do atual presidente da República, assim como nada se acrescentou aos avanços tecnológicos e comerciais acumulados nas quatro décadas anteriores pelo agronegócio. A agropecuária e a indústria vinculada à atividade rural continuaram dinâmicas e competitivas, mas somente graças à modernização iniciada em administrações anteriores.
O atual governo distinguiu-se quase exclusivamente por suas ações prejudiciais à reputação do agronegócio brasileiro, manchada pela devastação ambiental tolerada e facilitada pelo Executivo federal. O novo governo precisará estimular a recuperação e a modernização da indústria e restaurar de forma clara o compromisso brasileiro com a preservação ambiental. Além disso, terá de oferecer ao setor privado um horizonte seguro para o investimento em capacidade produtiva. No terceiro trimestre, o valor investido em máquinas, equipamentos e construções foi 5% superior ao de um ano antes e correspondeu a 19,6% do PIB. Mas, o País precisa investir muito mais, pelo menos 24% do PIB, para crescer, de forma continuada, em ritmo parecido com o de outros emergentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.