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28/Nov/2022

Dólar avança diante de incertezas fiscais no Brasil

A “novela” em torno da PEC de Transição e a falta de declarações mais firmes em favor da responsabilidade fiscal por parte do ex-ministro Fernando Haddad, principal nome cotado para ocupar o Ministério da Fazenda, azedaram o humor do mercado na sexta-feira (25/11). Em alta desde a abertura dos negócios, alinhado ao fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, o dólar ultrapassou o teto de R$ 5,40 em meio à fala de Haddad em almoço da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Com máxima a R$ 5,42, o dólar encerrou em alta de 1,89%, cotado a R$ 5,41, acima da linha de R$ 5,40 no fechamento pela primeira vez desde o dia 17 de novembro.

Apesar de oscilações fortes nas últimas sessões, a divisa terminou a semana com variação modesta (+0,66%). Em novembro, o dólar acumula ganhos de 4,73%. Houve melhora na liquidez na volta do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos (24/11), com o contrato de dólar futuro para dezembro movimentando mais de US$ 10 bilhões. Em fala no almoço com banqueiros, Haddad disse que a prioridade de Lula na largada do mandato é a reforma tributária, criticou a desorganização do orçamento público no governo Jair Bolsonaro, mas não tocou na questão do teto dos gastos. O ex-ministro afirmou que não é possível continuar crescendo 0,5% ao ano, ecoando, ainda que indiretamente, a fala de Lula de que é preciso haver metas de crescimento.

Em seguida, Haddad disse a jornalistas que não foi à Febraban discutir a PEC de Transição, mas que Lula é de diálogo e nunca se opôs à responsabilidade social e fiscal. Seria mais prudente, contudo, debater a nova âncora fiscal após o desenlace da PEC da Transição. As demandas da sociedade serão analisadas as demandas da sociedade, analisar também o impacto disso do ponto de vista de juros futuros, de trajetória de dívida e de atendimento da população para chegar a um denominador comum. Haddad disse que não foi convidado para ser Ministro da Fazenda e que sua relação com o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, cotado para eventual dobradinha com o petista na equipe econômica, é ótima desde sempre.

Especula-se que Arida possa ocupar o Ministério do Planejamento, que deve ser recriado, ou secretária executiva da Fazenda, com Haddad como ministro. Para a Alphatree Capital, o mercado está "caindo na real" de que Haddad deve ser realmente o próximo ministro da Fazenda, após ter representado Lula na Febraban. O Real até tem se comportado bem recentemente na comparação com a Bolsa e, em especial, os juros futuros, que refletem mais o risco fiscal. Bolsa e juros estão relativamente piores. Dólar deve ter mais espaço para subir se confirmado Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.

O senador Tasso Jereissati protocolou no Senado PEC que amplia em R$ 80 bilhões o limite para gastos em 2023, vista como alternativa ao texto proposto pela equipe de transição de governo. Dado o impasse, voltou a circular a ideia de aprovação de crédito extraordinário para bancar as despesas com o Bolsa Família em 2023. A presidente do PT, Gleisi Hoffman, descartou a possibilidade de um "Plano B" de PEC e disse que vai insistir no caminho da política. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.