28/Out/2022
Um levante dos bancos em uma coalizão climática patrocinada pelas Nações Unidas foi contido, mas abriu feridas que podem enfraquecer uma aliança destinada a canalizar trilhões de dólares para financiar a transição dos combustíveis fósseis. Conseguir que os bancos assinassem a coalizão foi uma conquista marcante da conferência climática da ONU em Glasgow. Desde então, a escassez de combustível e a pressão de políticos e órgãos reguladores levaram os bancos a recuar do que eles pensam serem regras mais rígidas. Alguns bancos se arrependeram de ingressar no grupo, conhecido como Aliança Financeira de Glasgow para Zero Emissões Líquidas (GFANZ). A percepção é de que o GFANZ não está mais no controle e a autoridade. Bancos e outras empresas, sob pressão de clientes e investidores para lidar com as mudanças climáticas, assumiram compromissos para reduzir o financiamento e uso de combustíveis fósseis e compensar o que não conseguem eliminar.
Antes da conferência sobre o clima em Glasgow em novembro passado, bancos e investidores se juntaram ao grupo da ONU. Mesmo antes de a invasão da Ucrânia pela Rússia evidenciar a dependência mundial dos combustíveis fósseis, os bancos informaram que não poderiam reduzir o financiamento para os produtores tão rapidamente quanto os defensores do clima desejavam. Essa posição alimentou a tensão dentro do grupo dos bancos nas últimas semanas. Credores como JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Bank of America ameaçaram sair do grupo depois que a ONU publicou uma recomendação para que eles restringissem o financiamento para empresas de combustíveis fósseis e cessassem o financiamento de novos projetos de carvão. A ameaça foi reprimida na semana passada, quando o líder do grupo ressaltou que os grupos da ONU não podem definir unilateralmente critérios para os credores.
Eles estão preocupados em cumprir os regulamentos bancários dos Estados Unidos e enfrentam pressão política de autoridades republicanas sobre o uso de critérios ambientais e demais critérios em suas decisões de negócios. Os organizadores do grupo, outros membros e ambientalistas estão frustrados porque a coalizão da ONU parece ser mais um grupo climático voluntário com pouca força para impor as mudanças agressivas necessárias para desacelerar o aquecimento global. O GFANZ precisa responder à seguinte pergunta: 'Para que ele serve e o que está tentando conquistar?'", disse a Universidade de Oxford. O copresidente do grupo e ex-banqueiro central Mark Carney disse publicamente que ninguém estava pensando em sair. O texto nas diretrizes da ONU era muito forte e precisava ser alterado. Ele defendeu o valor da coalizão e disse a um grupo do Parlamento do Reino Unido nesta semana que o GFANZ havia crescido para mais de 500 membros e tinha cerca de US$ 150 trilhões em ativos.
Uma porta-voz da GFANZ informou que o trabalho sempre será desafiador e que o grupo está trabalhando com os membros para resolver seus desafios e atingir as metas climáticas. A aliança está se concentrando para a cúpula climática do próximo mês em Sharm El Sheikh, Egito. O grupo foi lançado em abril de 2021 para formar uma aliança entre os setores de bancos, seguradoras, gestores de ativos e outros setores financeiros. Em novembro passado, o grupo informou que as promessas dos membros de entregar US$ 100 trilhões em financiamento do setor privado até meados do século eram da ordem de grandeza necessária para cumprir as metas do Acordo Climático de Paris. A aliança foi saudada como o momento em que a indústria se comprometeu a combater as mudanças climáticas. Alguns grandes bancos dos Estados Unidos foram os últimos a aderir. Ex-presidente dos bancos centrais do Reino Unido e Canadá, Carney convenceu os últimos indecisos, incluindo JPMorgan e Goldman Sachs Group, pois os bancos achavam que ele entendia suas preocupações.
As tendências no financiamento climático não mudaram muito desde então, em parte devido à guerra na Ucrânia. As empresas devem tomar emprestado cerca de US$ 1 trilhão em títulos verdes e vinculados à sustentabilidade este ano, abaixo do recorde de cerca de US$ 1,3 trilhão no ano passado, mostram dados da Dealogic. O aumento das taxas de juros e a volatilidade do mercado desaceleraram o financiamento na maioria dos setores. Títulos e financiamentos para empresas de petróleo e gás quase igualam os empréstimos para projetos verdes, como ocorreu no ano passado, mostram os dados. Os cientistas afirmam que o financiamento verde precisa ser várias vezes maior do que o financiamento a combustíveis fósseis para que se possa evitar os piores efeitos do aquecimento global. Enquanto isso, os republicanos começaram a criticar os bancos por suas práticas de investimento climático, exigindo que eles representam o desinvestimento em combustíveis fósseis.
Procuradores-gerais em vários estados na semana passada iniciaram uma investigação sobre os bancos que se juntaram ao grupo industrial da ONU. A disputa entre os bancos e o grupo da ONU começou neste verão, quando um importante órgão da ONU publicou diretrizes para os membros do grupo, que incluem restrição ao financiamento de combustíveis fósseis e término do financiamento de novos projetos de carvão. Os bancos se opuseram, dizendo que o texto das diretrizes foi longe demais e representava riscos legais para eles. A ONU então ajustou a linguagem para recomendar práticas alinhadas a limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C, conforme os países concordaram no Acordo de Paris. A mudança foi apenas uma perfumaria porque a conformidade com o Acordo de Paris implica restringir o financiamento a combustíveis fósseis e cessar o financiamento às novas usinas de carvão. Vários bancos ainda acreditavam que a ONU estava mudando as regras do jogo.
Eles ameaçaram sair a menos que tivessem garantias de que a ONU não poderia estabelecer critérios obrigatórios por conta própria. Os bancos afirmam que continuam comprometidos com suas promessas climáticas e publicarão relatórios de progresso à medida que avançam. O líder da aliança bancária deu aos membros incomodados a garantia que eles queriam em uma carta pública na semana passada. Alguns dos bancos também rejeitaram o que julgavam ser tentativas do grupo da ONU de auditar seus planos climáticos. Os críticos dizem que os bancos estão protelando. Segundo a Reclaim Finance, parece que a verdadeira razão pela qual eles não estão dispostos a cumprir as diretrizes é por não estarem dispostos a tomar medidas imediatas para reduzir seus financiamentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.