30/Set/2022
Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), a poucos dias da eleição, a principal preocupação dos produtores rurais é o retorno da esquerda ao comando do País. O receio em relação à esquerda entrar no governo é porque já houve danos no passado, com escândalos de corrupção e movimentos causando estragos em propriedades rurais. A entidade representa aproximadamente 240 mil sojicultores brasileiros, equivalente a cerca de 42 milhões de hectares de área cultivada com a oleaginosa, por meio de 16 associadas estaduais. Apesar do apoio declarado à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), a entidade apresentará as demandas do setor ao governo que for eleito e conversará com futuro presidente, independentemente de quem for.
Para essa articulação, o setor pode contar com os parlamentares ruralistas que atuam como interlocutores do agro com Lula, como o deputado federal Neri Geller (PP-MT) e o senador licenciado Carlos Fávaro (PSD-MT). O produtor não ficou contente com o posicionamento deles de apoio a Lula, mas se algum deles for ministro ou secretário de Política Agrícola, será preciso dialogar, porque a agricultura é realmente um setor muito importante para economia e desenvolvimento do País. Entre os motivos que levam os produtores rurais ao apoio declarado ao presidente Bolsonaro, o principal é o maior acesso ao Executivo e a valorização do agro.
O acesso proporcionado ao governo Bolsonaro, através da ex-ministra Tereza Cristina, foi inédito. Isso não aconteceu nas gestões anteriores de Lula. Até o momento, a entidade não se reuniu com nenhum dos presidenciáveis e apresentará as demandas do setor ao governo que for eleito. Na hipótese de reeleição do presidente Bolsonaro, os produtores de soja esperam avançar em questões como seguro rural, garantia de alocação dos recursos do Plano Safra e crédito para armazenagem. É preciso resolver o problema da subvenção ao seguro rural e da alocação de recursos do Plano Safra, pois todo ano faltam recursos. A ideia é que o Ministério da Agricultura tivesse alocação de orçamento próprio para o Plano Safra.
Também é preciso destravar o crédito para armazenagem. Por isso, a preferência é pela continuidade do governo atual. Três assuntos primordiais para a sojicultura brasileira que precisam ser trabalhados no futuro governo são: segurança jurídica, melhoria da infraestrutura e medidas estruturantes para redução do custo de produção. O setor precisa de segurança jurídica de forma integral, não apenas à proteção de invasões de terra, mas também no tocante ao uso de insumos nas lavouras. Alguns produtos foram proibidos de forma abrupta, como o herbicida Paraquat, o que restringiu a disponibilidade do insumo com custo mais alto.
Em relação à infraestrutura, a Aprosoja Brasil apontou a necessidade de investimentos na malha logística para melhor escoamento da produção agrícola. A entidade defende também medidas estruturantes para redução do custo de produção, o que inclui a revisão de impostos cobrados sobre insumos e produtos agrícolas e até mesmo melhoria da infraestrutura. O alimento está muito caro, mas não significa que produtor rural está lucrando mais, porque o custo de produção está muito elevado e ele ainda corre risco, pois o seguro rural não é condizente. Não é colocando mais impostos sobre a produção de alimentos que essa situação será resolvida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.