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10/Mai/2022

Dólar fecha em alta com aversão externa ao risco

O dólar marcou seu terceiro pregão seguido de valorização na sessão desta segunda-feira (09/05) e fechou no maior nível desde meados de março, insuflado pela onda de aversão ao risco que toma conta dos mercados mundo afora. Investidores abandonaram bolsas e correram para se abrigar na moeda norte-americana diante da possibilidade de que a economia global rume para a estagflação, em meio à expectativa de aperto monetário mais intenso nos Estados Unidos, ao prolongamento da guerra na Ucrânia e a sinais de desaceleração da economia da China, cujas exportações cresceram em abril no ritmo mais baixo em quase dois anos. Com o quadro externo adverso, o dólar já abriu em alta superior a 1% e operou em terreno positivo ao longo de todo pregão. Entre mínima a R$ 5,10 e a máxima a R$ 5,16, o dólar encerrou com alta de 1,60%, a R$ 5,15, o maior valor de fechamento desde 15 de março (R$ 5,15).

Com o avanço desta segunda-feira (09/05), a moeda já acumula valorização de 4,33% em maio, maior do que toda alta registrada em abril (+3,81%). A queda da divisa em 2022, que chegou a ser de 17%, agora é de 7,52%. No exterior, o dólar subiu em bloco na comparação com divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com ganhos superiores a 1% ao peso chileno, ao rand sul-africano e ao Real. Afora uma pequena baixa à tarde, o índice DXY (que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes) trabalhou em alta, com máxima aos 104,187 pontos. Quando o mercado local fechou, era negociado aos 103,697 pontos, o maior patamar em 20 anos. Diante das preocupações com o crescimento global, o dia foi negativo para commodities. O minério de ferro caiu 6,18% no Porto de Qingdao, na China, que persiste na política de adoção de lockdowns para combater a Covid-19.

As cotações do petróleo recuaram mais de 5%, com o tipo Brent, referência para a Petrobras, fechando em baixa de 5,74%, a US$ 105,94 por barril. A União Europeia decidiu abandonar planos de proibir navios do bloco de transportar óleo russo. Commodities agrícolas como milho e soja também recuaram. O Banco Fibra vê o mercado realinhando preços à perspectiva de ajuste da política monetária norte-americana. A economia global tem sido impactada por choques cujos desdobramentos são difíceis de estimar. Os recentes lockdowns na China e a percepção de que o conflito militar entre Rússia e Ucrânia poderá se estender por mais tempo deterioram o cenário de crescimento e inflacionário para os próximos meses, elevando o risco de um processo de estagflação global. O tombo do Real em maio reflete recuo dos preços das commodities, além do fluxo negativo de recursos.

À espera da divulgação do índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) na quarta-feira (11/05), investidores monitoram discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O presidente do Fed de Atlanta afirmou não esperar uma alta de 75 pontos-base da taxa básica norte-americana em junho. O dirigente espera "dois ou três" novos aumentos de 50 pontos-base nos juros, que já representam uma postura agressiva do Fed para combater a inflação. O Citi informou, em relatório, o encerramento da aposta em queda do dólar frente ao Real, adotada após a decisão de política monetária do Federal Reserve na semana passada, seguida de declaração do presidente da instituição, Jerome Powell, descartando a possibilidade de uma alta de 0,75 pontos-base. A reação amena do dólar ao Fomc (comitê de política monetária do Fed) teve vida mais curta do que o que foi imaginado.

A Armor Capital observa que o vetor externo continua sendo preponderante para a perda de força do Real, mas a moeda tem sofrido também por causa da crise institucional interna, da saída de capital externo da B3 e da forte elevação da posição comprada em derivativos cambiais por parte dos estrangeiros. Persiste a elevada volatilidade da moeda dado o cenário externo adverso, porém o fluxo comercial no curto prazo tende a fazer o contraponto, ainda que parcialmente. Para a Blue3, com um arrefecimento da aversão ao risco e diminuição da volatilidade da moeda, a taxa de câmbio pode voltar ao nível de R$ 5,00, na esteira do aumento do apetite pelo carry trade (operações que exploram diferencial de juros entre países). O Copom deixou a porta aberta para uma alta de 0,5% da taxa Selic na próxima reunião, para 13,25%. Ainda deve haver estrangeiros atraídos pelos juros altos do Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.