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13/Out/2021

Pandemia amplia a desigualdade social no Brasil

De acordo com resultado de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dados internacionais do Gallup World Poll, que mostra a percepção da população em relação às políticas públicas de saúde, educação e meio ambiente, a pandemia ampliou a desigualdade mais no Brasil do que nos demais países do mundo. O desempenho brasileiro nas três esferas foi pior do que o de outros 40 países. Os dados, colhidos antes e depois da pandemia, destacam ainda que a deterioração social brasileira foi mais forte entre a população de renda mais baixa. A pandemia é um choque global que afeta o dia a dia do mundo inteiro. Mas, no Brasil, a administração e o gerenciamento das áreas de saúde, educação e meio ambiente foram piores. Por isso, obteve um resultado abaixo da média. Na educação, a satisfação dos 40% mais pobres caiu 22% no Brasil e 2,4 % no mundo. Esse porcentual reflete a piora de dados educacionais na prática. O tempo médio de estudo diário na população de 6 a 15 anos caiu para 2 horas e 18 minutos, enquanto o mínimo legal é de 4 horas.

Entre os mais pobres, esse tempo ficou abaixo de 2 horas, e nas classes A e B ficou acima de 3 horas, o que aumenta o abismo social. Ressalta-se ainda que as escolas ficaram fechadas mais tempo no Brasil do que no restante do mundo. Isso sem contar que muitas crianças deixaram de estudar porque não tinham celular ou computador disponível e porque as apostilas não chegavam até elas. Na saúde, houve queda de 10,5% entre os brasileiros mais pobres e alta de 2,28% na média dos demais países. A situação se inverte entre os 40% mais ricos. No Brasil, a satisfação dessa faixa da população subiu 0,5%; nos demais países caiu 0,08%. Em relação às políticas ambientais, houve piora em todas as faixas de renda, enquanto a percepção melhorou no resto do mundo. A pandemia deixou marcas sociais e econômicas muito fortes. Houve uma inversão de tendências. A desigualdade vinha diminuindo e a educação, apesar de ruim, também melhorava. Agora tudo mudou.

As matrículas escolares recuaram ao menor patamar desde 2007, e isso terá consequências no futuro, no aprendizado e na produtividade do trabalhador, que já estava estagnada há algum tempo. Na prática, esses fatores têm um peso muito forte na competitividade do Brasil, sobretudo a questão da educação. A Trevisan Escola de Negócios destaca que o resultado de hoje terá efeito daqui a 20 anos na força de trabalho. A educação é muito ruim e deve piorar. O PIB per capita é o mesmo de dez anos atrás. Em dólar, caiu 45% em 20 anos. A população ficou mais pobre em termos globais. Na avaliação da Universidade de São Paulo (USP), 500 dias sem aula deixam uma “cicatriz” nas crianças. Não se trata de dar mais aulas, mas de ter uma estratégia de recuperação, o que não existe por enquanto. Sem essa política, o País corre o risco de perder toda uma geração. Sobre a questão ambiental, o efeito é mais direto na exportação. Sem políticas rígidas pode haver perda de negócios. A pandemia aumentou a consciência de consumidores que passaram a pressionar as empresas por práticas mais sustentáveis, como um “trailer” de novos desafios do País. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.