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06/Aug/2026

Açúcar: possível importação da Índia eleva futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta quarta-feira (05/08) na Bolsa de Nova York, mantendo o movimento comprador observado nos últimos pregões e permanecendo acima do nível de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento outubro, referência atual e de maior liquidez, avançou 11 pontos, equivalente a 0,73%, e fechou a 15,15 centavos de dólar por libra-peso. A possibilidade crescente de retorno da Índia ao mercado internacional como compradora, as revisões que ampliam o déficit global projetado para a safra 2026/27, a recomposição de posições vendidas por fundos especulativos e o enfraquecimento do dólar sustentaram a valorização dos contratos. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) reforçou a expectativa de chuvas de monções abaixo da média histórica entre agosto e setembro.

Segundo avaliação do mercado, o cenário aumenta a probabilidade de que o país volte às importações de açúcar, estimulando movimentos de cobertura de posições vendidas. Fundos especulativos mantêm posição líquida vendida próxima de 120 mil contratos, segundo dados do relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC). No balanço global da safra 2026/27, o viés positivo ganhou força após o banco Citi revisar sua projeção, passando de um superávit mundial de 900 mil toneladas para um déficit de 1,3 milhão de toneladas. Outras consultorias e instituições também apontam saldos globais negativos, como Covrig Analytics, com déficit de 300 mil toneladas; Green Pool Commodity Specialists, com 3,3 milhões de toneladas; Datagro, com 1,85 milhão de toneladas; StoneX, com 1,7 milhão de toneladas; Itaú BBA, com 700 mil toneladas; Organização Internacional do Açúcar (ISO), com 262 mil toneladas; e Czarnikow, com 100 mil toneladas.

A Hedgepoint Global Markets também reduziu sua estimativa de superávit mundial para 1,8 milhão de toneladas. No cenário macroeconômico e energético, o petróleo WTI registrava alta de 0,26%, negociado a US$ 79,36 por barril. A valorização do petróleo favorece a competitividade relativa do etanol brasileiro, especialmente após a entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), em 1º de agosto. A medida deve adicionar 633 milhões de litros à demanda pelo biocombustível na safra 2026/27, segundo estimativa do Bradesco, podendo alcançar 1 bilhão de litros em base anualizada. Apesar do avanço recente, as altas mais intensas permanecem limitadas pela disponibilidade imediata de açúcar no Brasil, pela melhora acumulada das chuvas de monções na Índia e pelo ritmo moderado da demanda internacional. O IMD informou que o déficit acumulado de precipitações havia recuado para 11% abaixo da média histórica até 5 de agosto, após atingir 42% no fim de junho.

No Brasil, o clima seco no Centro-Sul durante julho favoreceu a aceleração da moagem de cana-de-açúcar e deve elevar a participação do açúcar no mix de produção das usinas nas próximas atualizações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), superando o nível de 42% registrado anteriormente. Pelo lado da demanda, StoneX, Bradesco e Vesper avaliam que China e Indonésia seguem realizando compras de forma gradual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 6,4% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas quatro primeiras semanas de julho. No mercado climático, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática dos EUA (CPC) mantêm probabilidade de 81% para ocorrência de um evento de El Niño classificado como muito forte até setembro, fator que permanece no radar dos agentes para os próximos meses.