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04/Aug/2026

Açúcar: déficit global e E32 elevam preços futuros

Os contratos futuros do açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (03/08) em alta na Bolsa de Nova York, ampliando os ganhos registrados na sessão anterior e retornando ao patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso, maior nível das últimas três semanas. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 35 pontos (2,39%), e fechou a 15,01 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado pela combinação de preocupações com o clima na Índia, revisões que ampliam a expectativa de déficit global de açúcar na safra 2026/27 e pela entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) no Brasil. Na Índia, o Departamento Meteorológico (IMD) projeta precipitações de monções abaixo da média entre agosto e setembro, elevando os riscos para a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar e reforçando o suporte às cotações internacionais. O cenário também foi influenciado por novas revisões dos balanços globais de oferta e demanda.

A Covrig Analytics passou a projetar déficit mundial de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas. A revisão se soma às projeções de déficit divulgadas por Green Pool Commodity Specialists (3,3 milhões de toneladas), Datagro (1,85 milhão de toneladas), StoneX (1,7 milhão de toneladas), Itaú BBA (700 mil toneladas), Organização Internacional do Açúcar (ISO) (262 mil toneladas) e Czarnikow (100 mil toneladas). No mercado doméstico, a implementação da E32, em vigor desde 1º de agosto, reforçou as expectativas de aumento da demanda por etanol anidro. Estimativas do Bradesco indicam acréscimo de 633 milhões de litros no consumo durante a safra 2026/27, fator que tende a favorecer maior direcionamento da matéria-prima para a produção de biocombustível em detrimento do açúcar. Apesar da valorização, fatores limitaram ganhos mais intensos. A forte queda do petróleo no mercado internacional reduziu parte do suporte ao complexo sucroenergético. O contrato do petróleo WTI recuou 4,81%, para US$ 87,93 por barril.

No mercado cambial, o dólar comercial avançou 0,26%, encerrando cotado a R$ 5,07, movimento que favorece as exportações brasileiras e estimula a fixação de vendas pelas usinas. Pelo lado da oferta, as condições climáticas secas no Centro-Sul do Brasil favoreceram o avanço da colheita da cana-de-açúcar durante julho. A expectativa é de aumento do mix açucareiro nas próximas divulgações da Unica, superando o percentual de 42% registrado anteriormente. No mercado internacional, a demanda permanece moderada. China e Indonésia seguem adotando postura cautelosa nas aquisições, enquanto dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam redução de 6,4% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas quatro primeiras semanas de julho, acompanhada por queda de 14,4% no preço médio das exportações. As perspectivas climáticas também seguem no radar do mercado. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Climate Prediction Center (CPC) mantêm probabilidade de 81% para a ocorrência de um episódio muito forte de El Niño até setembro, fator que continua sendo monitorado pelos agentes do setor.