03/Aug/2026
Os contratos futuros do açúcar demerara encerraram o pregão de sexta-feira (31/07) em alta na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência de baixas observada nas sessões anteriores. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, avançou 23 pontos, equivalente a 1,59%, e fechou a 14,66 centavos de dólar por libra-peso, após ter atingido na sessão anterior o menor nível em aproximadamente um mês. A recuperação das cotações foi impulsionada pela combinação de fatores climáticos, energéticos e fundamentais, que estimularam a recomposição de posições vendidas por parte dos fundos de investimento. Entre os principais fatores esteve a divulgação de previsões indicando desaceleração das chuvas de monções na Índia durante os meses de agosto e setembro, aumentando as preocupações com o potencial produtivo do segundo maior produtor mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) informou que as precipitações deverão permanecer abaixo da média histórica nos próximos meses, reforçando alertas já divulgados pelo Ministério das Ciências da Terra daquele país de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
O cenário amplia os riscos para a produtividade da cana-de-açúcar e para a disponibilidade global do produto. No mercado de energia, a valorização do petróleo também contribuiu para a recuperação do açúcar. O contrato do petróleo WTI avançou 1,07%, para US$ 89,03 por barril, fortalecendo a competitividade econômica do etanol em relação à gasolina no mercado brasileiro. Esse movimento ocorre às vésperas da entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), prevista para 1º de agosto, medida aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Estimativas do Bradesco indicam que a nova mistura deverá elevar a demanda por etanol em aproximadamente 633 milhões de litros durante o ciclo 2026/27. As perspectivas para o balanço global de oferta e demanda também sustentaram as cotações. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 1,76 milhão de toneladas.
A StoneX revisou o déficit global para 1,7 milhão de toneladas e reduziu sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 38,7 milhões de toneladas. Outras consultorias também projetam oferta global mais restrita. A Datagro estima déficit de 1,85 milhão de toneladas e avalia que entre 7 milhões e 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar poderão permanecer no campo sem colheita caso ocorram precipitações acima da média no encerramento da safra. O Itaú BBA projeta déficit global de 700 mil toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 262 mil toneladas e a Czarnikow prevê saldo negativo de 100 mil toneladas. A Hedgepoint Global Markets também reduziu sua projeção de superávit global para 1,8 milhão de toneladas. Paralelamente, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e o Centro de Previsão Climática (CPC) mantiveram em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito forte até setembro. Apesar da recuperação das cotações, fatores ligados à oferta brasileira limitaram ganhos mais expressivos.
O clima predominantemente seco durante julho favoreceu o avanço da colheita de cana no Centro-Sul, sustentando expectativa de aumento do mix de produção destinado ao açúcar nas próximas divulgações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), acima dos 42% registrados no levantamento anterior. No cenário internacional de demanda, StoneX e Bradesco destacam redução do ritmo de compras pela China após antecipação das importações, além de demanda mais moderada da Indonésia. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também apontam redução das exportações brasileiras de açúcar. O comportamento do câmbio também exerceu influência sobre o mercado. O índice do dólar (DXY) avançou 0,19%, para 99,864 pontos, enquanto o dólar comercial no Brasil subiu 0,29%, encerrando cotado a R$ 5,0611. A valorização da moeda norte-americana tende a estimular novas fixações de venda pelas usinas brasileiras, ampliando a oferta disponível para exportação.