09/Jul/2026
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o crédito rural classificado como problemático em Mato Grosso alcançou R$ 21,79 bilhões até abril de 2026, o equivalente a 18,22% da carteira total de crédito rural do Estado, maior percentual da série histórica. Em 2022, esse indicador correspondia a 2,08% da carteira estadual. O estudo considera como crédito problemático as operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas. A evolução dos valores evidencia a rápida deterioração das condições financeiras do setor agropecuário estadual. O montante passou de R$ 1,61 bilhão em 2022 para R$ 3,63 bilhões em 2023, avançou para R$ 11,90 bilhões em 2024, atingiu R$ 19,78 bilhões em 2025 e chegou a R$ 21,79 bilhões em abril de 2026. A inadimplência superior a 90 dias representa R$ 5,25 bilhões, correspondendo a 4,98% da carteira de crédito rural de Mato Grosso. Mais da metade do crédito problemático é composta por operações renegociadas, indicando que parte significativa dos produtores busca reestruturar compromissos financeiros para manter a atividade produtiva.
O principal desafio enfrentado atualmente pelo setor é de natureza financeira. Embora os níveis de produtividade permaneçam elevados, o desempenho operacional tem sido insuficiente para compensar o aumento dos custos de produção, a redução das cotações agrícolas observada após o ciclo de preços elevados do pós-pandemia e o crescimento do endividamento acumulado pelos produtores. O levantamento atribui a deterioração dos indicadores à combinação entre a queda dos preços da soja e do milho, a manutenção de custos de produção em níveis elevados, influenciados, entre outros fatores, pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre os insumos agrícolas, e o aumento das taxas de juros. Com a taxa Selic em 14,25% ao ano, o custo financeiro das operações aumentou, reduzindo a capacidade de investimento e de liquidez dos produtores rurais. O estudo também evidencia a expansão do crédito rural em Mato Grosso ao longo dos últimos anos. O volume de recursos contratados passou de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões na safra 2023/24.
Apenas nas operações de custeio para as lavouras de soja e milho, o crédito aumentou de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões no mesmo período. A soma das operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas demonstra que quase um quinto da carteira de crédito rural do Estado apresenta algum grau de risco, indicando que parcela relevante dessas dívidas permanecerá ao longo das próximas safras e exigirá planejamento financeiro para viabilizar seu equacionamento. Mato Grosso permanece na liderança nacional em pedidos de recuperação judicial no agronegócio desde 2023. Com base em dados da Serasa Experian, o Estado registrou 332 solicitações em 2025, superando Goiás, com 296 pedidos, e Paraná, com 248. O avanço acelerado dos indicadores reforça que o principal risco para o agronegócio mato-grossense está concentrado na situação financeira dos produtores, embora o cenário ainda não indique um quadro de insolvência generalizada. O estudo foi elaborado com informações do Imea, Banco Central, Ministério da Agricultura e Pecuária, Senar-MT e Serasa Experian. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.