06/Jul/2026
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial de cereais deverá recuar em 2026 após atingir recorde no ano passado, enquanto o fenômeno climático El Niño adiciona incertezas às perspectivas de safra, especialmente para o trigo. A entidade manteve praticamente inalterada sua estimativa para a produção global de cereais, em 2,983 bilhões de toneladas, volume 1,9% inferior ao recorde de 2025, mas ainda o segundo maior já registrado. A produção mundial de cereais secundários foi revisada para cima, para 1,624 bilhão de toneladas, impulsionada por melhores perspectivas para o milho na Argentina, Brasil, China e Zâmbia, favorecidas por condições climáticas que elevaram a produtividade acima da média.
Em contrapartida, a previsão para a safra global de trigo foi reduzida para 806,5 milhões de toneladas, queda de 4,3% em relação a 2025, refletindo principalmente a expectativa de menor produção na Austrália, onde El Niño aumenta o risco de chuvas abaixo da média e, aliado aos elevados custos de produção, deve limitar tanto o plantio quanto os rendimentos das lavouras. Para o arroz, foi mantida praticamente estável a estimativa de produção global em 552,5 milhões de toneladas (base beneficiada), 1,8% abaixo do recorde da temporada anterior. As perspectivas foram elevadas para Paquistão e Iraque, graças à melhora da disponibilidade de água para irrigação e a revisões oficiais das safras, mas essas altas foram compensadas por reduções nas projeções para Colômbia e Vietnã, devido à expectativa de menor área plantada.
A FAO também revisou para baixo sua projeção para o consumo mundial de cereais em 2026/27, agora estimado em 2,961 bilhões de toneladas, ainda 0,3% acima da temporada anterior. O uso de cereais secundários deverá crescer impulsionado pela demanda para ração na América do Sul e pelo consumo alimentar na África, enquanto a utilização de trigo tende a recuar ligeiramente devido à menor competitividade do cereal na alimentação animal na China. Já o consumo mundial de arroz deve atingir um novo recorde de 558,2 milhões de toneladas, sustentado pelo crescimento populacional. Os estoques globais de cereais ao fim das safras de 2027 foram revisados para 957,8 milhões de toneladas, alta de 0,9% em relação ao ciclo anterior, elevando a relação estoque/consumo para 32%.
O aumento será puxado principalmente pelos estoques de milho e cevada, com destaque para a China, enquanto os estoques de arroz deverão recuar, embora permaneçam no segundo maior nível da história. No comércio internacional, a FAO manteve praticamente inalterada sua previsão de 507,6 milhões de toneladas para 2026/27. A entidade projeta queda de 4,7% nas transações globais de trigo e de 18,8% nas de cevada, enquanto o comércio de milho deve crescer 2,5% na comparação anual. Para o arroz, a expectativa é de retração de 2,1% em 2026, refletindo principalmente a redução das importações pelos países asiáticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.