03/Jun/2026
Em nota divulgada nesta terça-feira (02/06), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que o governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. O USTR sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, com exceções. Segundo a Secom, essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro. "Está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso País, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais", sustentou a Pasta. "É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", prosseguiu.
A Secom afirmou que não havia e não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil ou contra patrimônios brasileiros como o Pix, mencionado nas recomendações preliminares. E citou estatísticas do "Bureau of Economic Analysis", que apontam que os Estados Unidos acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos Estados Unidos com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, ainda de acordo com o governo brasileiro. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.
"O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos Estados Unidos como nosso parceiro comercial", continuou a Secom. E acrescentou que, no primeiro trimestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%. A nota ainda resgatou a reunião em Washington no dia 7 de maio entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para dizer que estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O governo brasileiro também diz que dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
Na sequência, a Secom colocou que o Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional no ano passado, "para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional". "O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros". A nota foi finalizada com a afirmação: "É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro". Ainda, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou em entrevista coletiva de imprensa nesta terça-feira (02/06), que o governo recebe com indignação e considera injusta a recomendação do USTR dos Estados Unidos em taxar os produtos brasileiros em 25%.
Alckmin disse ainda que o Palácio do Planalto vai atuar para que a taxação não se concretize. "Entendemos que é totalmente descabida a recomendação. O governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. É uma recomendação feita pelo USTR e o caminho é o caminho do diálogo. O presidente Lula sempre tem dito, não tem tema proibido e o caminho é o caminho do diálogo", disse. O vice-presidente também atacou o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) que, na semana passada, se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Alckmin disse que "falsos patriotas e sabotadores" prejudicam a relação bilateral construída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o tarifaço de julho de 2025.
"Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam, colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do País e do interesse público", afirmou. Alckmin também defendeu o Pix, e disse que o instrumento é um patrimônio nacional. Sobre as acusações dos Estados Unidos de corrupção no governo brasileiro, ele declarou que o Brasil aprovou 30 dispositivos contra o crime nos últimos 20 anos. Já, ao falar sobre desmatamento, o vice-presidente afirmou que o País está registrando a maior queda nos últimos sete anos. O vice-presidente Alckmin disse ainda que a balança comercial com o Brasil é amplamente favorável aos Estados Unidos. Na tarifa brasileira sobre o etanol, que é uma queixa dos norte-americanos, o vice-presidente afirmou também que as alíquotas sobre o produto são semelhantes. Alckmin também disse que o acordo feito pelo Brasil com o México e a Índia não restringe a compra de produtos norte-americanos ou prejudica empresas do país. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.