02/Jun/2026
Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, a inadimplência das empresas brasileiras atingiu novo recorde em abril de 2026, alcançando 9 milhões de CNPJs negativados. O resultado representa o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2016 e reforça a permanência de um ambiente de crédito desafiador para o setor produtivo nacional. O avanço da inadimplência ocorre mesmo diante do início do ciclo de flexibilização monetária. A manutenção das taxas de juros em níveis elevados, combinada com a desaceleração da atividade econômica, continua limitando a capacidade financeira das empresas, pressionando receitas e dificultando a recomposição de caixa e capital de giro. O volume financeiro das dívidas negativadas também atingiu novo recorde, totalizando R$ 220,9 bilhões em abril. Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,1 contas em atraso, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e tíquete médio de R$ 3.468,99 por obrigação financeira. O segmento de serviços concentrou a maior parcela das empresas negativadas, respondendo por 55,6% do total.
Na sequência aparecem comércio, com 32,4%, indústria, com 8,1%, e setor primário, com 0,9%. Em relação à origem das dívidas, o setor de serviços respondeu por 31,7% dos débitos registrados. Bancos e cartões representaram 19,4% do total, seguidos por cooperativas, com 8,6%, utilities, com 7,0%, e telefonia, com 5,7%. A composição das dívidas indica que parte significativa das dificuldades financeiras está relacionada à manutenção das operações e à necessidade de financiamento do capital de giro. O cenário de crédito mais seletivo e custos financeiros elevados tem ampliado os desafios para a administração dos passivos empresariais, prolongando os processos de regularização financeira. A Região Sudeste concentrou o maior número de empresas inadimplentes do País. São Paulo liderou o ranking com 3.076.064 CNPJs negativados, seguido por Minas Gerais, com 881.652, e Rio de Janeiro, com 864.722. Entre os demais Estados com maior volume de inadimplência destacaram-se Paraná, com 588.935 empresas negativadas, e Rio Grande do Sul, com 518.195.
A distribuição acompanha a maior concentração de atividade econômica e de empresas nessas regiões. As micro e pequenas empresas continuam representando a maior parcela da inadimplência nacional. Em abril, o segmento atingiu o recorde de 8,5 milhões de CNPJs negativados, o maior patamar desde o início da série histórica. O grupo concentrou 57,6 milhões de dívidas, que somaram R$ 191,8 bilhões. Nesse universo, cada micro ou pequena empresa acumulou, em média, 6,8 contas negativadas, com dívida média de R$ 22.503,39 por CNPJ e tíquete médio de R$ 3.328,73. A maior dependência de linhas de crédito de curto prazo e a menor capacidade de negociação financeira tornam essas empresas mais vulneráveis em períodos de crédito restritivo e juros elevados. Os dados indicam que a inadimplência empresarial segue em trajetória de alta ao longo de 2026, refletindo os desafios enfrentados pelas companhias para equilibrar fluxo de caixa, custos financeiros e condições de financiamento em um ambiente econômico ainda marcado por restrições de crédito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.