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01/Jun/2026

PIB da Agropecuária cresce impulsionado pela soja

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira avançou 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior, em linha com as projeções de mercado. O desempenho foi impulsionado principalmente pela safra de soja, cuja colheita concentrada no verão ampliou a contribuição do grão para o resultado do setor no período. A soja permaneceu como principal vetor de sustentação da atividade agropecuária brasileira no início do ano. A oleaginosa manteve elevada relevância na composição do PIB do setor, refletindo tanto a dimensão da produção nacional quanto o peso econômico da cultura. Em contrapartida, o desempenho do agro foi parcialmente limitado pelos resultados de milho e arroz. No caso do milho, houve retração na primeira safra em razão da expansão da área destinada à soja. Além disso, a maior parte da produção nacional do cereal segue concentrada na 2ª safra, atualmente em desenvolvimento.

No arroz, a redução da produção foi interpretada como movimento de ajuste após o excedente registrado anteriormente. O recuo da oferta contribui para recomposição do equilíbrio do mercado e sustentação das cotações da rizicultura. Para o fechamento de 2026, a projeção da FGV aponta estabilidade no desempenho da agropecuária, com variação estimada em -0,2%. Repetir o elevado nível de produção observado em 2025 já representaria um resultado positivo diante das condições climáticas mais adversas enfrentadas ao longo deste ano. As perspectivas para o restante de 2026 seguem condicionadas ao comportamento climático durante o desenvolvimento da 2ª safra de milho e das culturas de inverno, fatores considerados decisivos para o desempenho consolidado do setor agropecuário. Para a Volt Partners, o avanço de 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no primeiro trimestre de 2026 refletiu principalmente o forte desempenho da soja, enquanto diversas outras cadeias agrícolas seguem enfrentando dificuldades de produção e receita.

A recuperação do agronegócio permanece concentrada em poucas culturas, especialmente na soja, cuja produção deve crescer 4,8% em 2026. O desempenho agregado do setor esconde dificuldades enfrentadas por outras atividades agrícolas. Milho, arroz, feijão, algodão e trigo apresentam desempenho inferior ao da soja, seja por retração da produção, seja pela redução de receita decorrente de preços mais baixos. O cenário reforça uma dinâmica heterogênea entre as cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. Além da soja, o café e a cana-de-açúcar também contribuem positivamente para o desempenho da agropecuária em 2026. A produção de café deve crescer cerca de 18% no ano, enquanto a cana-de-açúcar apresenta expansão estimada em 1,3%. A expectativa é de que o café ganhe maior relevância ao longo dos próximos trimestres, com o avanço da colheita e o aumento do fluxo de recursos na cadeia produtiva. Parte das dificuldades enfrentadas por alguns segmentos está associada ao elevado nível de inadimplência observado em diferentes regiões produtoras.

O cenário limita investimentos no plantio e nos tratos culturais, contribuindo para a evolução mais fraca de determinadas culturas. A concentração do crescimento na soja deve persistir durante o segundo e o terceiro trimestres, período marcado pela colheita e comercialização da safra. A entrada da safra de café no segundo semestre pode reduzir parcialmente esse desequilíbrio, embora o desempenho entre as diferentes atividades agrícolas deva continuar heterogêneo. A Volt Partners também destaca os riscos climáticos relacionados à possível formação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Eventuais impactos sobre culturas como café, cana-de-açúcar, laranja e fumo podem alterar as perspectivas de produção e receita no segundo semestre, além de ampliar as incertezas para o plantio da safra 2026/27.

Segundo avaliação da EY Brasil, o agronegócio brasileiro deve enfrentar um cenário mais desafiador nos próximos trimestres, apesar do desempenho positivo registrado no início de 2026. Problemas na 2ª safra de milho de 2026, perspectiva de redução da produção de algodão e um ambiente menos favorável para a pecuária tendem a limitar o avanço do PIB agropecuário ao longo do ano. A 2ª safra de milho de 2026 enfrenta dificuldades em algumas regiões produtoras, fator que pode reduzir a contribuição do cereal para o crescimento da atividade agropecuária. No algodão, a menor área plantada neste ciclo também aponta para redução da produção em relação ao ano anterior. Na pecuária, o cenário projetado é menos favorável do que o observado no primeiro trimestre. A expectativa de desaceleração dos abates, somada às incertezas envolvendo as exportações brasileiras de carne bovina para a China, tende a reduzir os incentivos ao confinamento e limitar a expansão do segmento ao longo de 2026.

O crescimento de 2,0% do PIB da agropecuária no primeiro trimestre de 2026 ante o trimestre anterior foi sustentado principalmente pelo forte desempenho da soja, cultura de maior peso na composição do setor. A oleaginosa compensou perdas e resultados mais fracos observados em outras culturas agrícolas, como o arroz. O resultado do PIB agropecuário veio em linha com as expectativas do mercado, mas o ritmo de crescimento deve perder intensidade ao longo do ano diante do ambiente mais heterogêneo entre as diferentes cadeias produtivas. Em relação ao clima, os impactos mais relevantes do fenômeno El Niño tendem a ocorrer sobre a próxima safra, especialmente a temporada 2026/27. Entretanto, os temores relacionados à possibilidade de um “super El Niño” ainda estão superdimensionados neste momento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.