ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

01/Jun/2026

EUA não deverá reverter decisão sobre PCC e CV

A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos Amanda Roberson afirmou que a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras dificilmente será revertida. Roberson negou que a decisão tenha sido influenciada por pedidos feitos por políticos brasileiros, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ela, a medida resulta de um processo interno conduzido pelo governo do presidente Donald Trump desde o início do mandato e não implicará em ações militares nem sanções contra empresas sem vínculo com as facções. Amanda afirmou que "normalmente designações deste tipo não são revertidas", ao ser questionada sobre a possibilidade de retirada futura da classificação. De acordo com ela, as autoridades norte-americanas seguem monitorando a situação, mas o objetivo do governo é "eliminar estes dois grupos" e suas operações nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países.

A declaração ocorreu um dia após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciar a inclusão das duas facções brasileiras na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A medida entrará em vigor em 5 de junho. Amanda afirmou que a decisão não foi tomada em resposta a pedidos recentes de integrantes da família Bolsonaro, apesar de Flávio Bolsonaro ter defendido publicamente a medida após reuniões na semana passada com Trump e integrantes do governo norte-americano. "A designação foi decisão do presidente Trump e da sua equipe", disse a porta-voz. Questionada especificamente sobre eventual influência de Flávio ou Eduardo Bolsonaro, respondeu que "é só o presidente Trump mesmo que toma a decisão" e que o republicano "faz as suas decisões de maneira independente". Segundo ela, o enquadramento do PCC e do CV vinha sendo analisado há meses. A porta-voz afirmou que o processo exige uma investigação aprofundada e avaliações conduzidas por especialistas do governo norte-americano.

"Não é algo que se faz de um dia para o outro", disse. Ela acrescentou que o tema da segurança nacional está entre as prioridades da administração Trump desde os primeiros dias do mandato. Amanda também procurou afastar temores manifestados por integrantes do governo Lula, pelo setor financeiro e por parte do mercado de que a medida possa atingir empresas brasileiras sem relação com as facções. "As designações são específicas para atividades com estes dois grupos. Empresas e pessoas que não têm nada a ver com estes grupos não vão ser parte das medidas", garantiu. Segundo ela, a medida prevê consequências específicas: restrições de visto para integrantes das organizações, bloqueio de todos os bens eventualmente localizados nos Estados Unidos, proibição de transações envolvendo os grupos e criminalização do fornecimento de apoio material ou recursos às facções. A porta-voz explicou ainda que órgãos responsáveis pela implementação das sanções passarão a monitorar transações para identificar eventuais violações das restrições impostas.

Perguntada se a classificação pode abrir caminho para sanções mais amplas contra o Brasil, bancos ou outras instituições financeiras, Amanda evitou especular sobre medidas futuras e afirmou apenas que, neste momento, as designações "se aplicam só a esses dois grupos". Ela acrescentou que não é possível antecipar eventuais futuras designações. Outro ponto de preocupação no governo brasileiro envolve o receio de que a medida possa servir de justificativa para uma atuação mais direta dos Estados Unidos no combate às facções, a exemplo de discussões recentes envolvendo cartéis mexicanos. Amanda rejeitou essa interpretação. "Essas designações não têm nenhuma consequência com o militar, nada assim", afirmou. "As ações militares não são relacionadas com essas designações". Sobre a relação bilateral, a porta-voz disse que os Estados Unidos esperam a continuidade da cooperação em segurança com o Brasil e defendeu medidas mais duras contra as organizações criminosas. Segundo ela, cabe ao governo brasileiro decidir quais ações adotará utilizando as leis brasileiras e os instrumentos disponíveis no País.

"Queremos ver o governo brasileiro também aumentando as medidas, tomando medidas mais rigorosas para eliminar esses grupos", declarou. Questionada sobre contatos prévios com o governo brasileiro antes do anúncio, Amanda afirmou que os Estados Unidos mantêm diálogo constante com autoridades brasileiras sobre temas de segurança nacional, mas negou que o Planalto tenha sido avisado com antecedência. Já sobre uma eventual resposta formal do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ela disse que o Departamento de Estado não comenta conversas diplomáticas privadas. Ao justificar a designação, a porta-voz afirmou que o PCC e o CV representam uma ameaça à segurança nacional norte-americana e disse que autoridades dos Estados Unidos identificaram atividades das facções em 12 Estados do País. Segundo ela, a presença das organizações em território norte-americano foi um dos fatores que motivaram a adoção da medida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.