24/Nov/2025
A presidência da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) divulgou na terça-feira (18/11), o primeiro rascunho das decisões que podem sair de Belém. O chamado "Decisão Mutirão" reúne as principais polêmicas das negociações climáticas, há menção ao mapa do caminho rumo ao fim do uso dos combustíveis fósseis, mas de forma branda, o que frustrou expectativas. Ainda assim, as negociações não têm sido fáceis, e a orientação da presidência da COP foi simplificar os textos. O "mapa do caminho" tem ganhado apoio de cerca de 80 países, segundo contabilidade de organizações da sociedade civil, e foi uma das demandas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula de Líderes, que antecedeu a COP30. Alguns desses países, como Reino Unido, Alemanha, Colômbia e Serra Leoa, convocaram uma entrevista coletiva para endossar o "mapa do caminho".
Questionada sobre o fato de países insulares estarem pedindo mais ambição em relação ao fim dos combustíveis fósseis, a CEO da COP, Ana Toni, afirmou não ter ouvido essa solicitação dos negociadores. A chamada "decisão mutirão" traz como uma das opções de texto encorajar as partes a cooperar para implementar a transição rumo ao fim dos combustíveis fósseis (como o petróleo), considerados os principais vilões do aquecimento global. Nesse tópico, o texto convoca um grupo ministerial para apoiar os países a elaborarem roteiros para transição justa e para superar a dependência desses poluentes. O pacote com decisões sobre os itens mais contenciosos da negociação extrapola o mandato da COP30, mas ganhou relevância pela pressão dos países por resolução nas questões de financiamento, metas unilaterais de comércio, ambição das metas e relatórios de transparência.
O "combo de mapas do caminho" inclui ainda o tema do desmatamento, para que os países avancem na eliminação do desmate. Para este mesmo parágrafo, outra opção de texto fala apenas sobre a possibilidade de convocar um workshop das partes ou convidar as partes a compartilhar iniciativas domésticas de sucesso sobre transição justa, ordenada e equitativa para soluções de baixo carbono. Uma terceira opção é não trazer nenhum texto. Ambientalistas avaliam, no entanto, que as opções de texto são fracas diante do clamor de alguns países pelo roteiro rumo ao fim dos combustíveis fósseis. “O mapa do caminho encomendado pelo presidente Lula não está lá, em nenhum dos papéis. A pergunta que fica é: a encomenda do presidente vai entrar quando nesses textos?”, indaga o Observatório do Clima. É positivo o fato de os textos com propostas de decisão já estarem sobre a mesa.
Quanto maior a antecedência, maior a possibilidade de avançar. Durante discurso na plenária de alto nível que reúne diversos ministros de todos os países na terça-feira (18/11), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, citou a fala de Lula defendendo o fim progressivo do uso de fósseis e voltou a defender a necessidade de um roteiro. “É necessário diálogo estruturado, troca de experiências e estratégias de longo prazo, contemplando países produtores e países consumidores de combustíveis fósseis.” Outro ponto polêmico na COP, o financiamento climático ainda está totalmente em aberto da “Decisão Mutirão”. Nas consultas feitas aos países para elaborar o documento, na semana passada, houve tensões entre os países quando o assunto entrava em pauta, sobretudo por parte da Índia e da Arábia Saudita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.